Corte afeta pouco o consumidor

Segundo a Anefac, taxas para pessoa física chegam a até 1.500% em algumas financeiras

Paulo Justus, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2009 | 00h00

A redução de 1 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic), ontem, afeta muito pouco os juros cobrados do consumidor, de acordo com levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). Isso ocorre porque há uma diferença grande entre a Selic e as taxas cobradas da pessoa física, que, na média, chegam a 133,70% ao ano. Em algumas financeiras, nas linhas de crédito pessoal as taxas atingem mais de 1.500% ao ano.Para o economista e vice-presidente de Finanças da Anefac, Roberto Vertamatti, a redução maior dos juros do consumidor só vai ocorrer com o aumento da competição entre os bancos. " O sistema bancário do Brasil acabou se concentrando demais. A falta de concorrência faz com que os juros se mantenham muito altos", diz. De acordo com a Anefac, a redução da Selic pode aumentar indiretamente a competição entre os bancos, na medida em que diminui o lucro com as aplicações em títulos públicos. Isso estimula o aumento da oferta de empréstimos no mercado e a competição entre os bancos. Outro fator que impede a redução maior dos juros no Brasil, segundo Vertamatti, é a rentabilidade da caderneta de poupança. "Enquanto tivermos uma rentabilidade mínima da poupança de 6% ao ano, não poderemos ter uma Selic menor que 9%" afirma.Vertamatti, no entanto, acredita que, por motivos políticos, o governo não deve mexer no cálculo do rendimento da poupança pelo menos até depois das eleições de 2010. Segundo simulação da Anefac, a redução média nas taxas de juros para os principais produtos oferecidos ao consumidor, como cheque especial e empréstimo pessoal, deve ser de 1,09% ao ano. No caso do financiamento de carros, o estudo aponta uma taxa de juros mensal de 2,8%, ante 2,88% cobrada antes da redução da Selic. Isso significa que o financiamento de um veículo de R$ 25 mil em 60 vezes terá parcelas de R$ 864,97, uma economia de R$ 15,26 por parcela em relação ao que era.

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