Corte da Selic é visto como um sinal do BC

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou na noite desta quarta-feira a redução da taxa Selic, a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto porcentual, sem a colocação de viés. Com isso, a taxa passou de 19% ao ano para 18,75% ao ano e ficará neste patamar até a próxima reunião do Comitê, nos dias 19 e 20 de março. Segundo apurou o repórter Gustavo Freire, a curta nota distribuída ao final da reunião afirma que a decisão é "compatível com a convergência da taxa de inflação para suas metas". A ata da reunião de hoje será divulgada na próxima quinta-feira.A maioria dos analistas apostava que a Selic seria mantida em 19% ano. A opinião majoritária era de que o Banco Central (BC) adotaria uma postura mais conservadora, optando por aguardar sinais mais claros de recuo dos índices de inflação. Para o diretor de fundos do BNL Asset Management, Claudio Lellis, o corte de 0,25 ponto porcentual é muito mais um sinal de que o BC pretende consolidar a tendência de queda das taxas de juros do que o resultado de uma confirmação efetiva de recuo da inflação. "O BC quer dizer ao mercado que, assim que for possível, o corte será maior", afirma.O economista do Lloyds TSB, Odair Abate, concorda. Ele ficou surpreso com a decisão do Comitê, o que, para ele, não significa que a decisão seja equivocada. "A não colocação de viés já demonstra que este corte decidido hoje é um sinal da intenção do BC de reduzir juros. Quando os sinais de queda da inflação forem mais consistentes, a redução pode ser mais significativa", declara.Como impacto na redução da dívida do governo e fonte de estímulo para a atividade econômica, Abate diz que um corte de 0,25 ponto porcentual é muito pequeno. Segundo ele, isso confirma a percepção de que o BC quis apenas sinalizar para os investidores a sua intenção de diminuir as taxas de juros nas próximas reuniões. O diretor-executivo da Asset Management do West LB Banco Europeu, André Reis, lembra que, no mercado de juros, esta redução de taxas já vinha sendo antecipada pelos investidores. Exemplo disso são os contratos de DI, com vencimento em outubro, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros. Hoje, este papéis fecharam o dia com uma taxa anual de 18,760%. "Se os índices de inflação recuarem de fato, o Comitê pode decidir por mais um corte de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião. Em uma situação mais otimista, este corte seria de 0,5 ponto porcentual", declara. Queda dos juros depende de queda da inflaçãoA política monetária do governo é definida pelo cumprimento das metas de inflação. Neste ano, a meta é de 3,5% - com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para a meta de inflação, registrou uma alta de 0,52% em janeiro. O número é considerado elevado dentro da meta atual.Em fevereiro já se esperavam números mais baixos de inflação. Os dois índices divulgados hoje ainda não demonstram claramente essa tendência. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), apurado na segunda quadrissemana do mês, verificou uma alta de 0,30% - o patamar máximo esperado pelos analistas. Já a segunda prévia do Índice Geral dos Preços do Mercado (IGP-M) ficou em 0,02%. Segundo apurou o editor Francisco Carlos de Assis, os analistas esperavam um resultado entre zero e uma queda de 0,20%, o que não se confirmou.Veja no link abaixo reportagem sobre os juros para o consumidor com as mudanças na Selic.

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