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Corte de 0,75 ponto no juro era o mínimo tolerável, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou com assessores que o corte de 0,75 ponto porcentual na taxa Selic seria o "mínimo tolerável" para a reunião de ontem. "Menos que isso seria complicado, causaria uma crise", disse um interlocutor do presidente. A mesma avaliação foi feita por um assessor da área econômica. "Se cortassem um ponto, a decisão seria classificada como política; se cortassem meio ponto, alguém seria demitido."Um ministro informou que, dentro do governo, a expectativa era um corte de 1 ponto porcentual. No entanto, prevaleceu a análise que seria melhor para o governo, num ano de eleição, agir com cautela para evitar recuos mais adiante. "O BC está fazendo uma programação gradual para não ter sobressaltos", disse. "Eles não queriam ir fundo demais para depois correr o risco de ter de subir a taxa."A reunião de ontem foi a segunda mais longa do governo Lula: 4 horas e 46 minutos. A decisão, porém, foi tomada por unanimidade, ao contrário da reunião de dezembro, quando houve dois votos dissidentes. Naquela reunião, a taxa de juros básica Selic foi cortada em 0,5 ponto, mas dois diretores votaram por uma redução maior, de 0,75 ponto. "Dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa de juros básica, o Copom decidiu por unanimidade reduzir a taxa Selic para 17,25% ao ano, sem viés, e acompanhar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação até a sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na estratégia de política monetária implementada desde setembro de 2005", diz o comunicado divulgado pelo Banco Central.Embora o corte de ontem tenha sido maior do que os de outubro, novembro e dezembro passados, quando a taxa caiu 0,5 ponto, a decisão do Copom significou, na prática, a manutenção do ritmo de queda estabelecido no final de 2005. Neste ano, haverá menos reuniões do Copom (oito, em vez de 12). Por isso, seria necessário um corte de maior magnitude para manter o mesmo ritmo de queda.A taxa de juros vigorará até a próxima reunião do Copom, marcada para os dias 7 e 8 de março. Não haverá alterações na Selic até lá, porque a decisão de ontem foi "sem viés", ou seja, os diretores do Banco Central não sinalizaram nenhuma mudança até o próximo encontro do Copom.ExpectativaA decisão do Copom neste mês era aguardada com maior expectativa, porque indicaria se, afinal, o Banco Central aceleraria o corte de juros, como vem sendo pedido por empresários e grande parte do governo. Um ex-ministro comentou que, se o Copom cortasse a Selic em um ponto porcentual, o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano teria um crescimento pelo menos 0,5 ponto maior. Esse efeito seria conseguido pelo otimismo que o sinal de aceleração na queda dos juros geraria sobre os agentes econômicos, animando o setor produtivo a investir."Foi, mais uma vez, adotada opção por uma política monetária conservadora", afirmou o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante(PT-SP). Segundo o senador, o corte de 0,75 ponto foi esperado em outros momentos, mas agora, com o ambiente econômico favorável, contas externas gerando superávit e o Brasil antecipando o pagamento da dívida para o Fundo Monetário Internacional (FMI), era possível uma queda mais substantiva na Selic. "Mas a trajetória de queda sustentável permanece, e espero que isso se acelere."O líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana, considerou positiva a decisão do Copom . "É mais um passo para o que todos nós desejamos, que é uma calibragem na política econômica do País, que já gera resultados positivos".O presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), aprovou a decisão do Copom. "Qualquer medida no sentido de reduzir a taxa de juros é uma contribuição para o crescimento da economia, que é o que todos os brasileiros desejam", disse Aldo. Questionado se a queda não poderia ser maior, ele se esquivou. "Prefiro analisar o fato. Mesmo que o corte não tenha sido o que desejávamos, trata-se de uma contribuição ao crescimento do País." A uma pergunta sobre qual o corte que desejava, Aldo sorriu e limitou-se a responder: "Eu não sou do Copom."O líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), considerou que o corte de 0,75 ponto porcentual na Selic "já foi um avanço, mas ainda está faltando muito." Segundo o parlamentar, finalmente o governo e o Copom estão vendo "o desastre" que foi a política monetária, a qual, segundo ele, levou a um crescimento muito baixo e a perdas na geraçãode empregos. "O Copom, de maneira tardia, percebeu que a taxa de juros no Brasil é, infelizmente, a maior do mundo, gerando para a economia um resultado desastroso", afirmou Maia. Ele avalia que são necessários mais cortes na taxa Selic, mesmo porque, segundo ele, a inflação está dentro da meta, abrindo espaço para novas reduções. "Mas o risco-Lula sempre atrapalha o Brasil para chegar a taxas de juros mais próximas das de outros países"."Postura conservadora"O presidente da CNI, deputado Armando Monteiro Neto, afirmou que a decisão do Copom de reduzir a taxa básica de juros em 0,75 ponto porcentual representa uma postura "muito conservadora" do BC, porque "havia espaço para uma redução maior". Ao mesmo tempo, Monteiro Neto comentou que a decisão, apesar de muito conservadora, vai na direção de uma "continuada redução" da taxa, "o que é algo em si mesmo positivo".O desejo da CNI, segundo seu presidente, é o de que "o ritmo da decisão possa ser intensificado nas próximas reuniões", para que o Paíspossa ter uma taxa de crescimento significativamente maior do que em 2005, "que frustrou as expectativas da Nação." Para Monteiro Neto, considerando-se que agora o espaço de tempo entre uma reunião e outra do Copom aumentou de 30 dias para 45 dias, a redução em 0,75 ponto porcentual é "algo muito parecido" com as decisões de 0,50 ponto porcentual de redução que ocorriam antes.

Agencia Estado,

19 de janeiro de 2006 | 09h58

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