Corte de custos será desafio para empresas em 2010

O corte de custos será o maior desafio para as empresas brasileiras no ano que vem. Essa é uma das conclusões da pesquisa "Panorama Empresarial 2010", divulgada hoje pela consultoria Deloitte. De acordo com o levantamento, 67% das empresas apontaram que o gerenciamento de custos será um desafio, enquanto 53% citaram a concorrência com outras empresas brasileiras. A pesquisa admitiu mais de uma resposta.

FABRÍCIO DE CASTRO, Agencia Estado

15 de dezembro de 2009 | 16h17

Para o responsável técnico da pesquisa, José Paulo Rocha, o controle de custos, que já foi um fator importante para as empresas em 2009, durante o período de recuperação da economia, continuará sendo um dos focos em 2010. "O Brasil tem um mercado competitivo, sem barreiras. Por isso a necessidade de controle de custos entre as empresas", afirmou. "A preocupação com a concorrência também está ligada aos custos. As empresas estão atentas ao que a concorrência está buscando, para não serem passadas para trás."

Os dados mostram ainda que 41% das empresas encaram como um desafio a manutenção da taxa de retorno do capital investido nos negócios. Outros 34% dos empresários citaram a manutenção do mercado doméstico como um desafio a ser vencido, enquanto 35% das empresas mencionaram a necessidade de aumentar o nível de governança corporativa. "As empresas precisam conquistar a confiança do consumidor, o que leva à ênfase na governança corporativa", disse Rocha.

Para encarar estes desafios, as empresas planejam investir, principalmente, em novos produtos e serviços, em talentos e na inovação. Os dados da pesquisa da Deloitte mostram que 64% das empresas vão priorizar o desenvolvimento de produtos e serviços, 46% vão se voltar para a retenção de funcionários e 45% pretendem incentivar a inovação.

De acordo com Rocha, a expectativa de que a economia brasileira apresente bons resultados em 2009 deve levar a uma disputa por talentos. Na última pesquisa Focus do Banco Central (BC), o mercado financeiro projetou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,03% em 2010. "Quando a economia cresce, um dos fatores de produção que fica escasso é o capital humano", lembrou Rocha. "Em um ambiente de forte crescimento econômico, as empresas vão brigar por talentos."

Entre os projetos a serem implantados, 93% das empresas planejam ampliar e modernizar a capacidade instalada, 91% vão implantar novos produtos e serviços - a maioria ainda em 2010 - e 87% vão investir em marketing e comunicação. Conforme a pesquisa, 41% dos empresários pretendem adquirir novas empresas em 2010.

Crescimento

De acordo com Rocha, os setores ligados à infraestrutura e à construção civil devem ser os destaques da economia em 2010. Na pesquisa, 19% dos empresários disseram que o setor de petróleo e gás tem o maior potencial de crescimento em 2010. Outros 17% apontaram a construção civil, enquanto 9% citaram o setor de turismo, hotelaria e lazer.

"O crescimento histórico desses setores têm sido inferior ao da economia", lembrou o pesquisador da Deloitte. Por isso, segundo ele, existe uma pressão para que a infraestrutura e a construção civil avancem no País e passem a dar conta da demanda. "E isso independe de eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que também ajudam", citou.

A pesquisa da Deloitte ouviu, entre outubro e novembro deste ano, 573 empresas de todos os portes e regiões do País. Juntas, elas representam o equivalente a 17,3% do PIB brasileiro e empregam cerca de 911 mil funcionários diretos. A idade média das empresas que responderam à pesquisa é de 30 anos.

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