Corte de gastos do governo poderia substituir alta de juros

Mas professor da USP acredita que isso não ocorrerá porque "políticos preferem continuar gastando"

Cláudia Ribeiro, do estadão.com.br,

10 de abril de 2008 | 17h03

Com a inflação em alta, o Banco Central (BC) já ameaça subir a taxa básica de juros (Selic). Muitos economistas , contudo, acreditam que o governo poderia evitar a alta dos preços de outra maneira: um ajuste fiscal, ou seja, com corte de gastos públicos. O professor de Economia da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Eduardo Gonçalves, é um deles. Mas o acadêmico não está otimista sobre isso. "Os políticos preferem continuar gastando. Então, o governo continuará optando pela alternativa do ajuste pela política monetária. Isso significa juro maior e, nesse caso, quem terá que gastar menos é a iniciativa privada", disse.  Veja tambémOuça o áudio com a íntegra da entrevista Economia global vive situação entre 'gelo e fogo', diz FMIONU pede medidas urgentes contra inflação de alimentosProdução maior é saída contra inflação, diz LulaEspecial sobre a crise de alimentos Celso Ming explica a alta da inflação  Entenda os principais índices de inflação Inflação surpreende para cima e reforça alta de juro O professor explica que a alta da inflação no Brasil hoje é resultado de um aumento na demanda, o qual não é acompanhado por um aumento na produção. Exemplo disso é que o crescimento das vendas e da demanda agregada tem se mantido no patamar de 12% e 20%, respectivamente. O gasto público tem seguido este ritmo, segundo Gonçalves, e tem crescido a uma taxa de 15%. Por outro lado, o crescimento da indústria fica em torno de 6%. "Se o crescimento da produção acompanhasse o consumo, não teríamos inflação", afirma. Para Gonçalves, a melhor maneira de equilibrar oferta e demanda seria uma redução no gasto público. "Contudo, isso não deve se confirmar, apesar do momento propício para isso. Hoje o presidente tem alta popularidade, o País vive um momento econômico tranqüilo. É a hora certa para evitar a alta dos juros e optar pelo corte de gastos do governo, mas não acredito que isso vá acontecer". O fato é que este cenário - demanda maior do que produção - começa a colocar a inflação acima do centro da meta. Na quarta-feira, 9, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice de preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - usado como referência para a meta de inflação. A alta foi de 0,48% e a expectativa era de que o resultado ficasse em 0,35%. O número de março é o mais alto para o mês desde 2005. Para se ter uma idéia, em 12 meses, a inflação já chega a 4,73%.

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