Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Corte de investimentos da Petrobrás deve prejudicar indústria de transformação

Segundo associação, demanda da indústria de transformação deve cair 15%; corte de investimentos deve provocar uma queda de mais de 2 pontos porcentuais do PIB em quatro anos

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

24 de junho de 2015 | 17h03

SÃO PAULO - O corte de 40% que deve ser anunciado nos próximos dias pela Petrobrás em seu plano de investimentos para o período de 2015 a 2019 deve provocar uma queda média de 15% na demanda da indústria de transformação no País, no período. O cálculo é do diretor de competitividade da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mário Bernardini. Segundo ele, isso deve provocar uma queda de mais de 2 pontos porcentuais do PIB do Brasil ao longo dos próximos quatro anos. 

O executivo explicou que o cálculo leva em conta que a Petrobrás responde por mais de 30% dos investimentos da indústria e por 10% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), ou seja, do investimento como um todo feito no País. "Se ela corta 40% de seus investimentos, sua participação na FBCF cairá para 6%. Como a FBCF representa 20% do PIB, só a Petrobrás vai tirar mais de 2 pontos porcentuais da economia brasileira ao longo dos próximos anos", disse. 

Apesar de os números serem negativos para o setor, o diretor de competitividade da Abimaq avaliou que o plano que deve ser divulgado é "mais coerente com a realidade" da empresa e da economia brasileira como um todo. O executivo prevê que "o mais provável" é que o corte de investimentos seja maior do que 40%, atingindo até 50%. "Provavelmente, no começo o corte sentido pela indústria vai ser pior", comentou.

Máquinas e equipamentos. A indústria de máquinas e equipamentos faturou R$ 7,356 bilhões em maio, queda de 1% na comparação com abril e recuo de 9,6% ante o mesmo mês do ano passado. Com o resultado, o faturamento líquido do setor acumulado nos cinco primeiros meses de 2015 é de R$ 36,594 bilhões, montante 4,9% menor do que o registrado em igual período de 2014.

O déficit comercial do setor maio somou US$ 965,04 milhões, o equivalente a uma queda de 19,9% ante abril e a retração de 14,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. Com o resultado, o déficit acumulado nos cinco primeiros de 2015 é de US$ 5,462 bilhões, montante 16,6% menor do que em igual período do ano passado.  

O setor encerrou o mês de maio com 346.873 empregados, volume 1% menor do que o de abril e 6,4% mais baixo do que o total de funcionários de maio de 2014. De acordo com dados da Abimaq, nos últimos 12 meses, o setor já demitiu 23.538 pessoas.

Os dados mostram que a situação do setor segue piorando no primeiro semestre deste ano e reforçam a previsão da Abimaq de que o faturamento deve cair novamente dois dígitos em 2015, assim como no ano passado, quando recuou 13,7% ante 2013. 

"A situação está piorando muito rapidamente e os números que apresentamos hoje já são velhos. Sentimos que junho piorou e julho vai piorar. Portanto, a previsão de queda de dois dígitos (do faturamento) é mais provável se repetir, o que vai levar o setor e os investimentos à metade do que era", afirmou o gerente de competitividade da Abimaq, Mário Bernardini.

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