Corte de juro deve ser feito com 'parcimônia', diz Copom

O Banco Central manteve a avaliação de que qualquer movimento adicional de corte de juro deverá ser feito com parcimônia, conforme consta no trecho 35 da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgado na manhã desta quinta-feira. A avaliação é idêntica à feita em maio. O documento traz as explicações para o corte do juro básico, a taxa Selic, que caiu 0,50 ponto porcentual, para 8% ao ano. A decisão anunciada na noite de quarta-feira, 11 de julho, foi unânime.

FERNANDO NAKAGAWA E EDUARDO CUCOLO, Agencia Estado

20 de julho de 2012 | 13h28

O Copom manteve a percepção de que o cenário internacional segue com influência desinflacionária sobre a economia brasileira. No parágrafo 22 do documento, os diretores mantiveram a percepção de que "desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global se mantiveram elevados, em particular, os derivados do processo de desalavancagem em curso nos principais blocos econômicos".

Em tom mais duro que o visto na reunião passada, os diretores do BC afirmam que "de modo geral, consolidou-se perspectiva de atividade global mais moderada do que se antecipava, e pouco se alteraram as restrições às quais estavam expostas diversas economias maduras". Em maio, nesse trecho do documento, os diretores afirmavam apenas que "pouco se alteraram as restrições às quais estavam expostas diversas economias maduras".

Os diretores do BC explicam no novo documento que nas economias maduras "parece limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalece um cenário de restrição fiscal neste e nos próximos anos". A percepção é idêntica à feita em maio.

Já nos emergentes, o Copom nota que "apesar da resiliência da demanda doméstica, o ritmo de atividade tem moderado, em parte, consequência de ações de política e do enfraquecimento da demanda externa". "Em casos específicos, mudanças no padrão de crescimento tendem a ser permanentes", conclui o documento que defende que a influência externa segue como "desinflacionária".

Preços

O Copom manteve a previsão de que os preços dos dois principais derivados do petróleo devem terminar o ano com aumento zero de preço. Na ata, os diretores do BC mantiveram a estimativa de que os preços da gasolina e do gás de botijão terão, para o acumulado de 2012, reajuste zero.

Para a telefonia fixa, a previsão de reajuste das tarifas passou de uma alta de 1,5% - prevista em maio - para uma queda de preço de 1% no acumulado de 2012 na comparação com o ano passado. Para a eletricidade, a expectativa de alta no ano aumentou ligeiramente, de 1,3% considerado em maio para 1,4%.

Para o conjunto de preços administrados, as tarifas públicas, a expectativa de aumento no ano caiu de 4% para 3,6%. Para 2013, o BC manteve a expectativa de aumento dos preços administrados de 4,5%.

Juros

A poupança externa e o menor custo de captação nessas operações têm ajudado a reduzir o juro brasileiro, avaliam os diretores do Copom na ata. "O Copom também pondera que têm contribuído para a redução das taxas de juros domésticas, inclusive da taxa neutra, o aumento na oferta de poupança externa e a redução no seu custo de captação", cita o documento no parágrafo 34.

Nesse trecho do documento, os diretores do BC avaliam que a mudança citada sobre a poupança externa - maior oferta e menor custo de captação - são "em grande parte, desenvolvimentos de caráter permanente". A avaliação é idêntica à feita em maio.

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