Corte de juro deve ser seguido por mais bancos

Após redução dos juros no cartão de crédito feito pelo Bradesco, outras instituições financeiras devem anunciar medida semelhante

LUIZ GUILHERME GERBELLI , LEANDRO MODÉ , O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h08

A redução dos juros no cartão de crédito, anunciada ontem pelo Bradesco, deve ser seguida por outros bancos. Na avaliação de especialistas, o movimento será similar ao verificado no primeiro semestre, quando os bancos reduziram as taxas de juros de diversos produtos em sequência.

Ontem, o HSBC informou que está estudando a possibilidade de reduzir os juros no cartão. Já o Santander disse que avalia "o atual cenário de queda das taxas". A Caixa Econômica Federal, que já reduziu os juros do cartão de crédito, afirmou que "está sempre precificando seus produtos para, caso haja margem, repassar ao cliente melhores condições".

"O anúncio do Bradesco deve mexer com o mercado. É provável que tenhamos nos próximos dias outros bancos anunciando queda nos juros", disse Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

As sucessivas reduções da taxa básica de juros no País não foram suficientes para baixar os juros do cartão de crédito. No último levantamento da Anefac, referente às taxas praticadas em agosto, os juros do cartão estava em 10,69% ao mês, o mesmo patamar verificado há 33 meses.

Pelo levantamento da instituição, o juro no cartão era o mais alto entre todas as modalidades de crédito pesquisadas. Para se ter uma ideia da diferença entre as taxas, em agosto, o juro médio para pessoa física foi de 6,02% ao mês, o menor patamar desde 1995, quando teve o início do levantamento.

Na avaliação do vice-presidente da Anefac, a concentração do setor impede uma queda dos juros no cartão. "Nesse período nós tivemos inúmeras reduções da Selic. As taxas de juros caíram em todas as operações de crédito, com exceção do cartão de crédito, que não se mexia", afirmou.

Um ranking divulgado pela Proteste também revelou a discrepância nos juros do cartão de crédito. Em junho, segundo a instituição, os juros anuais médios chegaram a 323,14%, o que dava ao Brasil a liderança na América Latina entre os países que mais cobravam taxa de juros no cartão. Em segundo lugar, estava o Peru (55% ao ano), seguido do Chile (54,24%) e Argentina (50%). Na lanterna da região ficou a Colômbia, com juro anual de 29,23%.

Qualidade. O novo cenário de taxa de juros no cartão de crédito deve melhorar a qualidade do crédito, segundo Oliveira. "Nada justifica o patamar alto dos juros no cartão e essa condição leva à inadimplência. Se os bancos reduzem as taxas de juros, automaticamente melhora a qualidade do crédito."

Apesar dos juros mais baixos no cartão de crédito, a orientação de especialistas é a mesma: o consumidor deve controlar os gastos e evitar a dívida no cartão ao máximo. "O cartão de crédito só é seu amigo se você não paga juros. Se você paga juros, ele tem uma taxa exorbitante", afirma Samy Dana, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De acordo com Dana, os consumidores que se endividam por causa do cartão de cartão de crédito costumam ser desorganizados financeiramente. "Se ele fosse organizado, perceberia que, no cartão de crédito, paga as maiores taxas. Assim, é melhor ele ficar devendo em outra modalidade", diz Samy. "Apesar das reduções, os consumidores que pesquisam taxas não serão afetados, porque eles já costumam evitar a dívida no cartão."

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