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''''Corte mostra que crise é maior do que se pensava''''

Thomas Trebat: diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade Columbia

Entrevista com

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 00h00

A decisão do Fed de cortar os juros em meio ponto porcentual é uma ''''boa notícia'''' para o Brasil, porque reduz o risco de uma recessão nos Estados Unidos. Essa é a opinião de Thomas J. Trebat, diretor executivo do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade Columbia e ex-diretor-gerente de análise econômica para América Latina no Citigroup.Segundo Trebat, será importante determinar se a redução dos juros irá, efetivamente, reduzir a aversão a risco entre os investidores. No médio prazo, acredita o professor, essa aversão a risco pode prejudicar o Brasil. Abaixo, trechos da entrevista que ele concedeu ao Estado por telefone, de Nova York.Qual é o significado da decisão do Fed de cortar 0,5 ponto na taxa de juros, acima da expectativa dos analistas, que era de 0,25 ponto?A decisão mostra que o estrago da crise das hipotecas no mercado financeiro é maior do que as análises preliminares do Fed indicavam. Antes, havia uma visão de que a crise ia ser mais leve, iria se autocorrigir. Até o secretário do Tesouro, Henry Paulson, disse há pouco tempo se tratar de uma correção necessária. Mas o fato de o Fed cortar 0,5 ponto nos juros mostra que a chance de recessão é maior do que se imaginava.Esse corte maior é bom ou ruim para o Brasil?O corte é uma boa notícia para o Brasil, na medida em que reduz a possibilidade de uma recessão nos EUA, apesar de não afastar completamente esse risco. A economia brasileira vai muito bem. Demanda interna, consumo e ganho de renda, PIB crescendo. Mas existe o risco de um impacto da recessão americana, com queda de preços das commodities, menor liquidez. E a medida de hoje reduz um pouco esse risco.Na América Latina, o Brasil está entre os países mais vulneráveis aos impactos da crise americana?Não, eu acho que o México é o mais vulnerável por ter grande intercâmbio comercial com os EUA. Mas, mesmo assim, cada redução de 1 ponto no crescimento do PIB resulta em redução semelhante em países da América Latina, inclusive no Brasil.E na questão da contaminação financeira, quais são os riscos para o Brasil?Essa é a grande pergunta - em que medida a decisão do Fed vai reduzir a aversão a risco. Hoje em dia, banco não está emprestando nem para banco aqui. Precisamos ver se a decisão de baratear o crédito vai fazer com que os bancos passem a querer emprestar dinheiro. O Brasil não é vulnerável no curto prazo, mas no médio e longo prazo pode sofrer com a aversão a risco. O investimento no País é apenas 20% do PIB e a aversão a risco pode reduzir esse fluxos.

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