Corte mostra que Fed não está para brincadeira, diz Bernardo

Ministro do Planejamento reforça que PAC é o melhor remédio diante de uma desaceleração nos EUA

Fabio Graner, da Agência Estado,

22 de janeiro de 2008 | 14h50

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou nesta terça-feira, 22, que a decisão do Federal Reserve de cortar em 0,75 ponto porcentual a taxa básica de juros dos EUA mostra que o BC norte-americano "não está para brincadeira". "É uma dose fortíssima", disse o ministro, que afirma não acreditar de forma alguma em recessão nos Estados Unidos.  Segundo ele, diante da desaceleração na economia americana, é importante preservar os investimentos no âmbito do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para garantir a continuidade do crescimento da demanda interna, que tem puxado o avanço da economia brasileira.  "Medidas preventivas se forem necessárias serão adotadas, mas o importante é sinalizar que o PAC vai continuar. Nós achamos que é preciso estar atentos com a situação dos EUA, mas não vamos alterar nossos planos naquilo que é substancial", acrescentou, ao repetir frase da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, de que o PAC é a melhor vacina contra a crise.  Arrecadação O ministro afirmou também que o aumento da arrecadação em 2007 - divulgado nesta terça pela Receita - foi motivado não só pelo crescimento econômico, mas também pela aceleração da inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano passado fechou com alta de 4,46%, acelerando sobretudo no final do ano. Segundo Bernardo, a inflação afeta positivamente a arrecadação porque boa parte dos tributos é cobrada no faturamento, que reflete a alta nos preços.  Em relação às discussões sobre corte no Orçamento deste ano, por conta do fim da CPMF, Bernardo disse que a Comissão de Orçamento do Congresso está revendo as projeções de receita, mas o governo, por enquanto, continua com as mesmas projeções e, por isso, trabalha para cortar R$ 20 bilhões nas despesas. Ele reiterou que a idéia é não cortar gastos do PAC.  Segundo o ministro, a tendência é que o governo aumente a execução dos investimentos públicos e deixe um volume menor de recursos em restos a pagar para 2009.

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