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Corte na dívida chega a 50% nas renegociações

Movimento superou a expectativa no 1º dia

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h07

Cerca de 2.200 inadimplentes sentaram-se ontem à mesa com representantes de dez empresas, entre bancos, lojas e financeiras, para discutir dívidas com pagamento atrasado, num mutirão de renegociação no estacionamento do shopping Metrô Itaquera, na zona leste da capital paulista. Segundo alguns relatos, os descontos oferecidos chegaram a 50% do valor da dívida pendente.

"O número de pessoas que iniciou renegociações superou a nossa expectativa", disse Fernando Cosenza, diretor de Sustentabilidade da Boa Vista, empresa que administra o Serviço Central de Proteção ao Crédito e coordena a "Campanha Acertando suas Contas". A campanha começou ontem e vai até sábado.

Ele disse que a expectativa inicial era que 8 mil pessoas renegociassem dívidas nos quatro dias. Mas como só no primeiro dia, geralmente mais fraco, o resultado foi além do previsto, Cosenza acredita que as metas serão ultrapassadas. Pela experiência de campanha semelhantes feitas anteriormente, ele diz 80% das renegociações são bem-sucedidas.

Foi o caso de José Antonio Carvalho, de 49 anos, que trabalha na área de segurança. Ele conseguiu reduzir quase pela metade a dívida não paga de R$ 4,3 mil de empréstimo pessoal contraída com o Santander. O banco parcelou o débito em dez prestações de R$ 230. "Falei que era cliente antigo. Tenho conta no banco há cerca de 15 anos." Segundo ele, esse foi um forte argumento para conseguir o desconto.

Carvalho contou que acabou ficando inadimplente porque teve despesas inesperadas com impostos que o levaram a levantar o empréstimo. Anteriormente ele nunca tinha ficado inadimplente. "Não tenho cheque nem cartão de crédito. Pago só com cartão de débito", disse ele, que não pretende voltar a se endividar no curto prazo.

Já o comerciário Orlando Cavalcanti, de 46 anos, está prestes a assumir uma nova dívida. Pretende financiar a compra de um imóvel no valor de R$ 160 mil. Por isso, ontem ele estava na fila do mutirão para limpar o nome e obter sinal verde para levantar um novo empréstimo.

Cavalcanti tem uma pendência de R$ 250 no Bradesco, referente a juros do cheque especial. Apesar de o valor ser pequeno, ele disse que queria um desconto, afinal o juro cobrado do cheque especial era salgado, antes do movimento recente iniciado pelo governo para cortá-lo.

Insucesso. Mesmo oferecendo descontos polpudos, houve quem não bateu o martelo na renegociação. É o caso da motorista de ônibus aposentada Artemis Komninakis Gonçalves, de 51 anos. Entre o Banco Itaú e o cartão das Lojas Americanas, ela acumula uma dívida não paga e atualizada de R$ 9 mil. A proposta que lhe foi feita para quitar uma das dívidas foi o pagamento de 24 prestações de R$ 195. Isso dá um total de R$ 4.680. Pela outra dívida, lhe foi proposto um refinanciamento de 24 parcelas de R$ 30. Ao todo, as duas renegociações somariam R$ 5,4 mil. A redução seria de 40%.

A aposentada disse que não aceitou o acordo. O motivo da recusa é que a sua renda mensal de R$ 650, obtida com aposentadoria, não comporta esse gasto mensal.

"Vou deixar para renegociar o débito no final do ano, quando normalmente os bancos e financeiras fazem propostas melhores", disse.

Segundo o diretor da Boa Vista, há mais duas campanhas de renegociação de dívidas com inadimplentes programadas para os próximos meses. Uma em agosto, na comunidade de Paraisópolis, e outra em dezembro, no Memorial da América Latina.

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