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Corte na produção de petróleo no Alasca não afetará mercado, diz AIE

A Agência Internacional de Energia (AIE) acredita que a interrupção da produção de 400 mil barris diários no campo petrolífero da British Petroleum de Prudhoe Bay, no Alasca - o maior dos Estados Unidos - não deverá ter um efeito negativo sobre a oferta global da commodity como foi inicialmente previsto. Mas alerta que a relação entre a produção e o consumo mundial de petróleo continua muito apertada, colocando os preços sob um pressão permanente. "Por enquanto, o mercado pode lidar com as atuais reduções na oferta, mas diante das diversas ameaças possíveis para a produção, incluindo a corrente temporada de furacões, há pouca dúvida de que a capacidade ociosa de exploração continua muito pequena", disse a agência em seu relatório mensal.Segundo a AIE, cuja sede fica em Paris, embora Prudhoe Bay "represente um problema significativo, há outros fatores potenciais de compensação", como o aumento na produção de petróleo da Arábia Saudita e os estoques dos derivados nos Estados Unidos, que estão acima de suas tendências históricas. "E embora a mitigação desse problema removeria até um quinto da capacidade ociosa da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o impacto no mercado poderá ser limitado pois cerca de 400 mil barris diários tinham sido recentemente retirados do mercado pela Arábia Saudita", disse a AIE, informando que já vinha antecipando em consideração em seus cálculos de oferta e consumo mundial de petróleo os problemas enfrentados pela BP no Alasca.Segundo a AIE, fatores geopolíticos e problemas na produção estão tendo um impacto sobre os preços menor do que o esperado. "Diante da contínua deterioração dos fundamentos entre a oferta e demanda, poderia parecer surpreendente que os preços não estão ainda mais altos", disse. A turbulência no Oriente Médio, as atividades nucleares do Irã, suspensões na produção na Nigéria e Iraque, problemas em Prudhoe Bay e a pendente temporada de furacões no Atlântico Norte poderiam fazer com que o mercado fizesse uma aposta consensual num encarecimento do petróleo. "Mas raspe a superfície e esses fatores são menos definidores para o mercado petrolífero do que parecem", afirmou.Como exemplo, a agência observou que a alta recorde dos preços em meados de julho foi um reflexo direto do temor que o conflito no Oriente Médio poderia afetar a produção petrolífera na região. "Mas assim que ficou claro que os líderes mundiais estavam discutindo soluções políticas e que nenhum grande produtor seria afetado, o prêmio sobre os preços se dissipou." O mesmo ocorreu em torno do programa nuclear iraniano. "Se esses eventos irão finalmente resultar em interrupções na oferta ainda não se sabe, mas no momento esse é mais um fator psicológico do que físico", disse.No entanto, a AIE alertou que há questões mais urgentes e que devem gerar mais atenção. Na Nigéria, por exemplo, cerca de 750 mil barris diários estão sendo deixados de ser produzidos e esse problema poderá perdurar até a eleições presidencial no país africano em abril de 2007.A AIE informou que a produção de petróleo em julho cresceu 615 mil barris diários, atingindo 85,5 milhões de barris diários. O consumo mundial permaneceu inalterado em 84,8 milhões de barris diários, com a forte demanda chinesa sendo compensada por uma queda na Europa e Japão e ajustes aos dados nos Estados Unidos.BrasilA AIE informou que a taxa anual de demanda por petróleo no Brasil cresceu 2,2% em maio passado, após sofrer uma forte queda de 1,7% no mês anterior. Isso foi causado por um aumento no consumo de combustíveis para transporte e outros derivados, que incluem o etanol. O consumo de gasolina subiu 1,3%, enquanto o de combustível para aeronaves e de querosene cresceu 7,1%. A AIE disse que esses números estão de acordo com suas previsões, mas elevou marginalmente - em seis mil barris diários - sua estimativa de consumo para o segundo trimestre. A previsão para a média de consumo de petróleo para 2006 no País foi mantida em 2,2 milhões de barris diários, o que representa um aumento de 1,8% em relação a 2005.A produção média diária de petróleo do Brasil em julho, de acordo com a AIE, foi de 2,17 milhão de barris. Em junho ela havia sido de 2,01 milhões de barris. A agência calcula que a média da produção diária em 2006 será de 2,18 milhões de barris e ela saltará para 2,45 milhões de barris no próximo ano.

Agencia Estado,

12 de agosto de 2006 | 14h17

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