Corte nos EUA alivia, mas não interrompe crise, diz Mantega

Segundo o ministro da Fazenda, turbulência nos mercados deve continuar pelos próximos meses

Fabio Graner, da Agência Estado,

22 de janeiro de 2008 | 11h52

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira, 22, que o corte de 0,75 ponto porcentual na taxa básica de juros norte-americana vai trazer alívio aos mercados, mas não deve interromper a crise. Segundo ele, as turbulências devem continuar pelos próximos meses, porque ainda não foram totalmente absorvidas as perdas geradas pelos problemas no subprime.  "É uma bolha que ainda está se dissipando e que vai trazer alguma desaceleração em algumas atividades econômicas", afirmou na entrevista sobre o balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).  Segundo o ministro, o corte nos juros e outras medidas de natureza anticíclica que as autoridades americanas estão tomando vão atenuar uma eventual recessão nos EUA, embora tenha destacado que, por enquanto, o que ocorre lá é uma desaceleração econômica.  Mantega ressaltou que a crise ainda não chegou no Brasil, mas reconheceu que ela ainda pode chegar. Na visão dele, se isso ocorrer, será no futuro, por meio de uma alteração no comércio externo e no preço das commodities, que têm peso importante na pauta de exportação brasileira.  Apesar disso, Mantega reafirmou suas projeções de crescimento da ordem de 5% previsto no PAC para 2008, mantendo o impulso iniciado em 2006 e que se acelerou em 2007. "Se houver alguma coisa internacional mais forte, poderá haver uma pequena desaceleração, mas aposto no crescimento robusto da economia brasileira", disse ele, ao destacar a solidez dos fundamentos econômicos do País.  Copom Apesar de dizer que não comentaria o encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o ministro tentou dissociar a decisão sobre taxa básica de juros do País, a Selic, do corte anunciado pelo Fed nos EUA. "As realidades são diferentes. O Brasil não sofre dos mesmos problemas (dos EUA) e o comportamento dos juros, aqui, mantém-se exclusivamente em função da meta de inflação. O que nos interessa é a inflação e ela está sob controle", disse.

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