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Corte nos juros é insuficiente para evitar recessão, diz Nobel

Para o economista Joseph Stiglitz, Brasil não conseguirá evitar dois recuos seguidos na atividade econômica

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo

12 de março de 2009 | 09h53

O economista americano Joseph Stiglitz afirmou nesta quinta-feira, 12, em Genebra que o Brasil possivelmente entrará em recessão. "Tecnicamente uma recessão significa dois trimestres de queda no PIB. Com a economia mundial no ritmo que está a possibilidade disto é alta", disse.   Veja também: Stiglitz: 'Brasil é vítima inocente da crise' De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Stiglitz alerta ainda que a queda da taxa de juros promovida ontem pelo Banco Central não seria suficiente para reverter a situação. "O Brasil tem um sistema financeiro peculiar. A queda pode ter sido importante, mas a taxa permanecem sendo uma das maiores do mundo".   O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu cortar em 1,5 ponto a taxa básica de juros da economia, que agora está em 11,25%.  O Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2008 registrou uma queda de 3,6% em relação ao período anterior. Se a previsão de um dos economistas para o momento foi confirmado, o Brasil já entraria em recessão no final deste mês.    No quarto trimestre de 2008, a queda na economia brasileira foi  a pior entre todos os países que formam o Brics (India, China  e Rússia, além do próprio Brasil). A queda também é superior à  contração da economia europeia, um dos epicentros da crise.   "Primeiro tentaram nos convencer de que a crise não atingiria a  Europa, depois que não faria sofrer aos países em desenvolvimento.  Hoje, com os dados que vemos do Brasil e de outras economias, está claro que estamos entrando na primeira grande recessão do período  pós-Guerra", disse.   Com a queda do desempenho de Estados Unidos, Europa e Japão, as  exportações de países emergentes estão desabando. Nesta semana, a  China alertou que a redução de 25% em suas vendas era a maior desde  que o país começou a abrir sua economia, nos anos 70. No Brasil, os  efeitos também serão sentidos.   Além da situação internacional, Stiglitz alerta que o Brasil ainda  sofrerá com a queda nos preços das commodities. "Os preços  internacionais ainda estão baixos, o que vai contribuir para  enfraquecer a economia (brasileira)", disse.

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