Cortes de custos atingem benefícios

Os cortes de custos promovidos pelas empresas também atingem os benefícios pagos aos funcionários, segundo com Betania Tanure, professora da PUC-MG e fundadora da consultoria BTA, especializada em gestão empresarial. "As empresas estão olhando as pessoas que custam mais, as que são menos produtivas e estão revisando não só os beneficio pagos a executivos, que estão fora das acordos sindicais, mas também todo o quadro de pessoal."

O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2013 | 02h13

Esse processo de ajuste interno, segundo ela, ainda não foi detectado integralmente pelas estatísticas. "O cenário para o emprego está claramente mudando", diz Betania. "Para os profissionais, eu recomendo atenção: não será mais tão fácil trocar de emprego e as pessoas que fizerem pressão para aumentar os salários vão perder o lugar."

Esse menor poder de fogo do trabalhador ficou evidente nas negociações salariais do primeiro semestre. De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 84,5% das negociações tiveram reajuste real, ou seja, acima da inflação. O resultado é inferior ao verificado em 2012, quando 96,3% das negociações superaram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento do Dieese também revela que 8,5% das negociações tiveram reajuste abaixo do INPC no primeiro semestre do ano, o maior nível desde 2007. No período, o ganho também decepcionou, foi de 1,19%, o mais baixo desde 2009 (0,73%), ano em que o PIB brasileiro teve retração por causa da crise internacional.

"Os resultados de 2013 são parecidos com os de 2011. Houve, de fato, uma redução no ganho, mas eu acho que isso está mais associado a questão da inflação", afirma José Silvestre Pardo de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Dieese. "No primeiro semestre a inflação para todas as datas-base era bem maior do que a do ano passado", diz. / A.S. e L.G.G.

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