''Cortes limitam reação dos EUA''

Para Sherwood, da Experian, desemprego a 10% será obstáculo

Luciana Xavier, O Estadao de S.Paulo

06 de junho de 2009 | 00h00

A retomada da economia dos Estados Unidos depende da reação do mercado de trabalho, afirmou ontem o economista sênior para assuntos globais da Experian, Matthew Sherwood, em entrevista, por telefone, ao programa AE Broadcast Ao Vivo. Segundo ele, apesar de o ritmo dos cortes de postos de trabalho ter se moderado no país em maio, a taxa de desemprego tende a crescer e a bater a marca dos 10%, o que seria um obstáculo à recuperação."Uma coisa necessária para os EUA voltarem aos trilhos é a melhora do mercado de trabalho. Mas apesar de alguns números positivos na economia, o mercado de trabalho continua a encolher. Então é difícil falar de retomada", avaliou. O mercado de trabalho nos EUA perdeu 345 mil vagas em maio, bem abaixo da projeção de analistas, de fechamento de 525 mil. É o menor desde setembro de 2008. Já a taxa de desemprego subiu para 9,4%, o nível mais alto desde agosto de 1983. "O corte menor de empregos é o primeiro sinal mais consistente de que as perdas de vagas começam a desacelerar, mas a taxa de desemprego é muito alta", disse. "O que podemos dizer é que, ao que parece, o pior da recessão nos EUA e no globo pode finalmente ter ficado para trás. Podemos dizer também, em relação a todas as economias, que as coisas não estão desacelerando tão rápido como antes", alertou. A China seria uma exceção, já que os indicadores de outros países ainda mostram contração, observou. Para o economista, há chances de retomada mais rápida no Brasil, beneficiada pelo fôlego chinês. "Se a China mostra algum crescimento, é claro que isso ajuda países como o Brasil e outros exportadores de commodities. Mas a China não pode ser o único motor da economia global. É preciso que os EUA tenham recuperação, assim como Reino Unido e oeste europeu", afirmou. A projeção é que a retomada americana comece no fim deste ano.

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