Cortes na Gol este ano podem chegar a 2,5 mil

Expectativa da empresa, de acordo com o vice-presidente financeiro, é encerrar 2012 com cerca de 18 mil funcionários; em janeiro, eram 20,5 mil

O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h06

A companhia aérea Gol pode cortar 2,5 mil empregos em 2012, o dobro da estimativa da empresa no mês passado. A afirmação foi feita pelo vice-presidente financeiro da empresa, Leonardo Pereira, que participou ontem do "Gol day", evento realizado para investidores estrangeiros em Nova York, segundo informações da agência "Bloomberg".

Os cortes viriam de demissões e congelamento de vagas abertas. Procurada pelo Estado, a companhia aérea não quis comentar a informação.

A expectativa de Pereira, segundo a Bloomberg, é encerrar o ano com cerca de 18 mil funcionários, ante 20,5 mil no início do ano. "Estamos fazendo um exercício tremendo dentro da companhia para adaptar nossa estrutura de custos", disse Pereira.

"Se tivermos um cenário com real mais fraco ou com o preço do combustível maior, precisamos de uma operação mais enxuta. Estamos trabalhando fortemente para cortar custos fixos", completou o vice-presidente financeiro da Gol.

Cerca de 55% dos custos da companhia aérea, como combustível e leasing de aeronaves, são atrelados à moeda americana. Mas, como a empresa vende a maior parte de suas passagens aéreas no Brasil, quase toda a sua receita é em real. O dólar já acumula alta de cerca de 13% em 2012 - a moeda americana fechou ontem em R$ 2,064, uma apreciação de 0,05%. O real desvalorizado dificulta os planos de recuperação da Gol e das demais companhias aéreas brasileiras.

Reação. Os rumores sobre demissões na Gol começaram em março, logo após a divulgação do balanço financeiro de 2011, quando a companhia aérea divulgou um prejuízo líquido de R$ 710 milhões. As perdas continuaram neste ano e somaram R$ 41,4 milhões no primeiro trimestre.

A empresa surpreendeu o mercado ao demitir pilotos - um ano antes, as companhias aéreas brasileiras reclamavam justamente de escassez desses profissionais.

A redução de tripulantes é um reflexo de uma postura mais conservadora adotada pela companhia aérea para reverter as perdas. A empresa decidiu cortar em março cerca de 100 voos diários de Gol e Webjet que tinham operação deficitária. A Gol também revisou sua frota e pretende encerrar 2012 com 12 aeronaves a menos do que no ano passado.

Com a operação menor, encontrou espaço para reduzir custos com a folha de pagamento. A Gol cortou 205 vagas de pilotos e comissários em março por meio de demissões e de um programa de licenças não remuneradas. No início de junho, mais 190 tripulantes foram cortados.

Os cortes chegaram à diretoria da companhia aérea em abril: a empresa eliminou uma vice-presidência, quatro diretorias e 26 cargos de gerência média e sênior. Ao todo, estima-se que cerca de mil empregos já foram cortados na empresa neste ano.

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