Corus confirma acordo de fusão com a CSN brasileira

O Financial Times afirmou hoje que a Corus está elaborando um "plano de saída" para a sua fusão com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), caso ocorra uma piora da situação da economia brasileira. Segundo o jornal britânico, o grupo anglo-holandês está particularmente preocupado com "com a possibilidade de um governo de esquerda assumir o poder nas eleições no Brasil no próximo mês". O FT salientou "que nesse caso, a nacionalização de importantes unidades industriais seria uma possibilidade". Mas, o porta-voz da Corus, Mike Hitchcock,, em entrevista à Agência Estado, desmentiu com vêemencia a reportagem do jornal, afirmando que ela "está completamente errada".Segundo ele, desde o anúncio do acordo da fusão dos dois grupos, em julho passado, a Corus havia deixado claro que iria monitorar atentamente as eleicões e a economia brasileira e não descartava a possibilidade de que o negócio poderia eventualmente não ser concluído. "Mas isso não é nenhuma novidade e continuamos vendo o acordo com a CSN como uma grande oportunidade de negócios", afirmou Hitchcock. Ele salientou que a fusão ainda está numa fase de levantamento de dados. "Ainda há muito trabalho a ser feito, mas os benefícios que justificam a conclusão do negócio são muitos sólidos e esperamos finalizar a fusão no primeiro trimestre de 2003."Segundo o FT, a Corus afirmou que ´até o momento não há um acordo obrigatório e pode-se abandonar o negócio se ele não é for do interesse da empresa". O jornal salientou que o executivo-chefe do grupo europeu, Tony Pedler, vai fornecer mais detalhes das opções de sua empresa ao apresentar os resultados do primeiro semestre, amanhã. "A expectativa é de que ele reitere que, diante das informações disponíveis, o negócio ainda faz sentido", disse o jornal.AçõesO FT salientou que desde o anúncio do negócio, em 17 de julho, os preços das ações da Corus declinaram de 70 pence de libra para 52 pence. "Os investidores estão preocupados com a fragilidade da economia brasileira e também com as eleições."Segundo o jornal, se a Corus decidir reavaliar o negócio com a CSN, a empresa teria tempo para abandoná-lo ou renegociar os seus termos, antes de apresentar os detalhes da fusão para os seus acionistas em novembro próximo. Os acionistas da Corus e da CSN deverão decidir sobre o acordo, através de votos, no início de 2003.A Corus vem sendo beneficiada pelas melhores perspectivas para o mercado de aço, cujos preços atingiram os seus níveis mais baixos no final do ano passado. Mesmo assim, segundo o FT, o grupo deverá anunciar um prejuízo de cerca de US$ 310 milhões para o primeiro semestre deste ano, com muitos analistas prevendo um lucro bruto de cerca de US$ 150 milhões para o segundo semestre.

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