Corus e CSN continuam negociando a fusão

O grupo britânico Corus negou hoje que a sua fusão com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) poderá ser atrasada ou renegociada. Segundo o jornal britânico The Independent, um diretor da Corus teria afirmado que "que poderá ocorrer um atraso no negócio devido à incerteza política e econômica nos mercados financeiros no Brasil e como os termos do atual acordo não são obrigatórios, isso significa que poderemos revisitar os termos do negócio."O porta-voz da Corus, Mike Hitchcock, disse à Agência Estado que a informação publicada pelo The Independent "é bobagem". Segundo ele, o jornal se baseou em informações publicadas na imprensa brasileira de que o acordo entre das duas empresas seria assinado no próximo dia 18 de novembro. "Essa data nunca foi estabelecida e continuamos seguindo o cronograma anunciado em julho passado, quando revelamos o negócio", disse Hitchcock. "Estamos realizando a fase de diligências e de trocas de documentação, após isso o acordo será submetido para a aprovação dos acionistas dos dois grupos no primeiro trimestre de 2003 e aí sim o negócio deverá ser concluído, nada mudou." O porta-voz do grupo britânico salientou, no entanto, que "desde o início frisamos que acompanharíamos atentamente os acontecimentos no Brasil nesse segundo semestre, isso também não é novidade". Mas apesar de grupo britânico reassegurar oficialmente sua intenção de concluir a fusão com a CSN, são crescentes entre os analistas da City londrina as dúvidas sobre a concretização do negócio. "A Corus não vai admitir oficialmente que poderá sair do barco ou retardar o negócio, pois na verdade ainda vê possibilidade de ele ser finalizado", disse um estrategista para o setor siderúrgico de um banco inglês. "Mas a verdade é que se as coisas no Brasil nos próximos meses se azedarem ainda mais, a Corus deverá ser obrigada a repensar a sua estratégia, inclusive para satisfazer os seus acionistas, que estão inquietos."Segundo o The Independent, as dúvidas sobre a fusão estão sendo causadas pela "quase certeza de que Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, irá vencer a eleição no domingo". "Embora Lula tenha prometido manter a disciplina financeira do País, a perspectiva de sua eleição está deixando os investidores nervosos e tem prejudicado a moeda brasileira", disse o jornal. A Corus confirmou ontem a venda de suas operações de alumínio para o grupo Francês Pechiney, da França, por 750 milhões. Esse dinheiro será usado para reduzir a dívida do grupo britânico.

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