Cosan anuncia plano de investimentos de US$ 1,7 bilhão

A Cosan, maior produtora de açúcar e álcool do Brasil, anunciou nesta quinta-feira, 12, um plano de investimentos de quatro anos com valor estimado em US$ 1,7 bilhão. O plano da companhia tem como objetivo expansão por meio de várias frentes, incluindo construção de usinas e ampliação de unidades do próprio grupo, além de melhorias operacionais. A origem dos recursos não foi especificada. "A estratégia de crescimento da Cosan não depende única e exclusivamente de aquisições (de usinas)", disse o vice-presidente financeiro, Paulo Diniz, numa entrevista coletiva que pretendeu responder ao questionamento do mercado de como a Cosan irá crescer no futuro com o recente encarecimento dos ativos do setor, gerado pelo "boom" do álcool. Praticamente toda a expansão do grupo nos últimos anos, uma das maiores do setor, foi calcada na compra de unidades concorrentes. A maior mudança na estratégia está na construção de usinas novas e seu crescimento para além de São Paulo, o maior e mais produtivo Estado produtor de cana do mundo, onde estão localizadas todas as suas 17 unidades. O grupo decidiu apostar em projetos "greenfield" - que começam do zero - em novas fronteiras. O primeiro deles será instalado em Goiás, num investimento total de 650 milhões de dólares. Serão três usinas de 3,3 milhões de toneladas cada, nos municípios de Montividiu, Jataí e Paraúna. A primeira delas estará produzindo já a partir de 2009. "Isso marca não só a saída da Cosan para fora de São Paulo, que está bastante aglomerado, mas também nos permite participar do desenvolvimento de novas áreas dentro do país", disse. A empresa já prospectou outros locais com potencial para tais projetos no Centro-Oeste e Norte/Nordeste, segundo Diniz. Para isso, "novos investidores são bem-vindos", disse ele, citando como candidatos fundos de investimentos com atuação em energia renovável, fundos ligados a empresas de petróleo e tradings. O valor previsto no plano da Cosan não inclui novas aquisições, mas elas tampouco estão descartadas, disse Diniz, até porque o grupo aposta que "toda a fase de euforia irá passar". Segundo ele, houve um aumento de quase 150% nos valores das usinas, considerando as compras realizadas pela Cosan entre abril de 2005 e abril de 2006 - que saíram por uma média de 41 dólares por tonelada capacidade instalada -, e negócios realizados por outros grupos no começo deste ano. Melhorias Outro foco dos investimentos da Cosan será em melhorias operacionais. Aumento na produtividade da terra, automação de processos, entre outras ações, devem receber R$ 40 milhões, possibilitando um retorno extra ao caixa da empresa de R$ 177 milhões por ano até 2010. Também são áreas importantes a mecanização da colheita de cana, na qual serão investidos US$ 88 milhões, e a de co-geração de energia, com US$ 448 milhões. Os recursos possibilitarão chegar a uma capacidade instalada de 390 megawatts, ante os atuais 163 MW. A venda da energia excedente deve gerar à Cosan receita adicional de R$ 174 milhões por ano. Já na expansão das usinas do grupo serão aplicados US$ 501 milhões, o suficiente para ampliar a capacidade das atuais 17 unidades da Cosan de 40 milhões de toneladas/ano para 50,6 milhões de toneladas até 2012. O custo desta ampliação sairia por US$ 47 por tonelada de capacidade, bastante atrativo, segundo o executivo. "Só essa expansão equivale à segunda maior empresa do Brasil hoje", observou Diniz. Ele afirmou ainda que a empresa estuda maneiras de ampliar seu modelo de negócios, atuando, por exemplo, como trading para açúcar e álcool comprados de terceiros. Também são consideradas parcerias com refinarias de açúcar fora do Brasil.

Agencia Estado,

12 Abril 2007 | 14h54

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