Cosan apresenta proposta por ALL e anuncia que vai abrir o capital da Rumo

As negociações para a incorporação da América Latina Logística (ALL) pela Rumo, da Cosan, foram formalizadas ontem. Para ser selado, o acordo deverá ser submetido à aprovação do Conselho de Administração da ALL, que tem prazo de até 40 dias para aprovar a operação. Se for aceito, a ALL deverá aprovar a decisão em assembleia.

MÔNICA SCARAMUZZO, MÔNICA CIARELLI / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2014 | 02h10

Pela proposta, Rumo e seus acionistas ficam com 36,5% - Cosan terá 27,4%, e os fundos TPG e Gávea, 4,56% cada. BNDESPar, braço de participações do BNDES, terá 7,69% do negócio. Os acionistas privados Wilson de Lara, Ricardo Arduini e sua esposa Júlia, somam, juntos, 7,19%. Os fundos de pensão Previ (Fundo de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil) e Funcef (da Caixa Econômica Federal) e o BRZ (que tem como cotistas Funcef, Petros, Postalis, Forluz e Valia) ficam com 8,17%. O restante, 40,4%, é negociado em bolsa. A Estáter, sob o comando de Pércio de Souza, representa a ALL. A Cosan é assessorada pelo banco Rothschild.

Para incorporar a ALL, a Rumo terá de abrir o capital, explicou Marcelo Martins, vice-presidente de finanças e relações com os investidores da companhia. Ontem, em comunicado ao mercado, a Cosan também informou que vai propor aos seus acionistas cisão parcial de seus ativos, operação independente das conversas com a ferrovia (ver acima).

Os fundos de pensão, no entanto, estão insatisfeitos porque não participaram diretamente das conversas entre as duas empresas, que ocorrem há dois meses, segundo fontes. O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, apurou que os fundos consideram a operação como uma oferta hostil da Rumo e pretendem contratar um 'adviser' independente para estudar formas de maximizar o valor da companhia. Hoje, devem oficializar essa decisão ao conselho da ALL.

Os fundos, que podem vetar o acordo, prefere discutir melhor os termos da proposta.

No comunicado ao mercado, a ALL informou que fixou um valor de referência às ações da companhia em R$ 6,958 bilhões (o que equivale a R$ 10,184 por ação) e as da Rumo em R$ 4 bilhões ( R$ 3,90 por ação). Ontem, os papéis da ALL subiram 8,7%, negociado a R$ 7,09; as ações da Cosan subiram 3,4%, negociadas a R$ 36,56.

Na oferta colocada à mesa, farão parte do bloco de controle Cosan, TPG, Gávea e BNDESPar, braço de participações do BNDES. Os acionistas privados Wilson de Lara, Ricardo Arduini e sua esposa Júlia, além dos fundos de pensão Previ, Funcef e o BRZ (que tem como cotistas Funcef, Petros, Postalis, Forluz e Valia) ficam de fora. Segundo Martins, todos os acionistas serão convidados para terem assento no conselho de administração da nova companhia. Cosan ficaria com nove assentos e o restante oito.

Aumento de capital. A expectativa da duas empresas é de que o acordo seja fechado ainda neste semestre. Nesta primeira fase, não estão previstos aumento de capital e entrada de um futuro sócio para a nova empresa, segundo Marcos Lutz, presidente da Cosan. Quando as negociações foram interrompidas ano passado, a Rumo estava negociando um aporte de R$ 1 bilhão do fundo Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB). Um aumento de capital, sócio estratégico e captação por meio de bancos de fomentos não estão descartados no futuro.

A empresa resultante da fusão de Rumo e ALL teria um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) superior a R$ 2 bilhões em 2013, segundo Martins. Em 2014, poderá alcançar R$ 2,5 bilhões. O valor potencial da nova empresa é calculado em R$ 14 bilhões, excluindo endividamento, de cerca de R$ 6 bilhões.

Mercado. Analistas receberam bem a proposta. No caso da ALL, acreditam que o negócio é favorável por interromper o cenário negativo que a ferrovia vem enfrentando ultimamente, com governo pressionando as concessionárias do grupo para o cumprimento dos contratos e acidentes registrados. Para a Cosan, além de maior eficiência logística, a expansão em infraestrutura é bem vista. / COLABORARAM LUCIANA COLLET E GABRIELA VIEIRA

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