coluna

Carolina Bartunek: ESG, o que eu tenho a ver com isso?

Cosan assume a NovAmérica

Acordo, fechado via troca de ações, consolida a Cosan como maior produtora de açúcar e álcool do mundo

Eduardo Magossi, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

O Grupo Cosan é o novo controlador da NovAmérica Agroenergia. O acordo foi selado por meio de uma operação de troca de ações entre a Cosan e a holding Rezende Barbosa, controladora da NovAmérica. Com a aquisição, o grupo Cosan reforça sua posição de maior produtor de açúcar e álcool do mundo e passa a ter uma capacidade de processamento anual de cerca de 56 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 10% do mercado brasileiro, administrando 23 usinas. Desse total, 19 usinas são do Grupo Cosan, com capacidade de moagem de 44 milhões de toneladas de cana. Por meio de um processo de reorganização societária dos dois grupos, sem desembolso financeiro, a Rezende Barbosa - que possui 100% do capital da NovAmérica - passa a deter 11% do capital social da Cosan, ficando entre as principais acionistas, com direito a um representante no Conselho de Administração.Além de incorporar as quatro usinas hoje controladas pela NovAmérica, que têm capacidade de moagem de cerca de 10,6 milhões de toneladas, o Grupo Cosan também passará a deter a marca União, líder em vendas de açúcar refinado no varejo brasileiro, além de duas refinarias e quatro empacotadoras de açúcar. Também faz parte dos ativos que serão incorporados pelo Grupo Cosan a participação de 51% da NovAmérica na Teaçu Armazéns Gerais. Com isso, a Cosan passa a deter 100% desse terminal que, junto com os terminais da Cosan Portuária, tem capacidade anual de embarque de 8,5 milhões de toneladas de açúcar. A NovAmérica venderá ainda para a Cosan sua participação de 8% no Teas (Terminal Exportador de Álcool de Santos) por R$ 4 milhões. Com essa aquisição, a Cosan passa a deter 40% do Teas, terminal com capacidade de embarque anual de 650 milhões de litros de etanol.A Cosan informou, em comunicado, que já está em fase adiantada de repactuação do passivo financeiro da NovAmérica, que soma R$ 1,145 bilhão, incluindo financiamentos do BNDES. As negociações com os credores da NovAmérica têm como objetivo a extensão do prazo do atual endividamento para cinco anos, por meio de linhas de pré-pagamento de exportação, em troca da substituição das garantias apresentadas pela Rezende Barbosa.O diretor financeiro e de Relações com Investidores da Cosan, Paulo Diniz, disse ainda que o grupo não vai fazer novas aquisições que possam representar uma ameaça à estrutura de capital da Cosan. "Não queremos fazer aquisições ou associações que necessitem de desembolso de capital", afirmou.RESULTADOA Cosan registrou lucro líquido de R$ 5,2 milhões no seu terceiro trimestre fiscal, ante prejuízo de R$ 71,4 milhões de reais no mesmo período do ano anterior. Os resultados no terceiro trimestre fiscal passam a consolidar as operações da Esso, atualmente denominada Cosan Combustíveis e Lubrificantes (CLL). Essa consolidação e os preços mais elevados do açúcar estão entre os motivos que levaram a empresa ao lucro.A Cosan obteve um crescimento expressivo de sua receita líquida, de R$ 674 milhões no terceiro trimestre de 2007/2008 para R$ 2,565 bilhões no terceiro trimestre de 2008/2009. A CCL representou 58,5% do faturamento do terceiro trimestre. As vendas de combustíveis foram responsáveis por uma receita de R$ 1,5 bilhão.As vendas de açúcar no terceiro trimestre fiscal foram de R$ 540,6 milhões, alta de 94,4% ante o mesmo período do ano anterior. Em volume, as vendas de açúcar ficaram em 808,8 mil toneladas, crescimento de 24% no período. Desse total, 726,4 mil toneladas foram direcionadas ao mercado externo, um crescimento de 44,6% em relação ao terceiro trimestre de 2007/2008.A receita com as vendas de etanol subiu 2,01%, para R$ 364 milhões, dos quais R$ 268 milhões para o mercado interno.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.