Miguel Ângelo/CNI
Miguel Ângelo/CNI

Cosan cria companhia para atuar nos setores de gás natural e energia

Compass vai investir no Rota 4, gasoduto que deverá escoar o gás natural do pré-sal ao continente, em um investimento estimado em cerca de US$ 2 bilhões

Mônica Scaramuzzo, Luciana Collet e Augusto Decker, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2020 | 04h00

O grupo Cosan, do empresário Rubens Ometto Silveira Mello, anunciou ontem a criação da empresa Compass, que vai reunir os negócios de gás e energia do conglomerado de infraestrutura, dono da ferrovia Rumo, e também sócio da distribuidora de combustíveis Raízen com a Shell. A nova empresa tem sob seu controle a Comgás, a maior companhia de gás canalizado do País, e a comercializadora de energia elétrica Compass, adquirida pela Cosan no fim do ano passado.

Com a criação da Compass Gás e Energia, a Cosan quer concentrar seus investimentos e expansão do setor nessa empresa. Ela nasce com um faturamento de quase R$ 12 bilhões. Além da Comgás e da comercializadora de energia elétrica, a Compass vai controlar todos os projetos de expansão em curso pelo grupo, como um terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL), na Baixada Santista (SP), e um gasoduto idealizado pela Cosan para o escoamento de gás no pré-sal, o Rota 4, em um investimento estimado em cerca de US$ 2 bilhões. 

“A Compass pode ser uma Cosan inteira embaixo dessa nova companhia”, disse o presidente da Cosan, Marcos Lutz. O anúncio da nova empresa foi feito ontem durante o Cosan Day, evento da companhia para apresentar os planos de investimentos do grupo para analistas de mercado e investidores. “A nova empresa surgiu para reorganizar os investimentos do setor de gás e energia da Cosan”, afirmou Rubens Ometto, dono e fundador do grupo.

Presidida pelo executivo Nelson Gomes, que também comanda a Comgás, a nova empresa avalia entrar em projetos termoelétricos a gás, com parceiros estratégicos, por meio de futuros leilões de energia. “O primeiro passo é o entendimento do modelo de negócio de térmicas. Vamos nos juntar a parceiros com projetos já licenciados para entender como funciona a dinâmica”, disse. 

A companhia também avalia participar do processo de compra de parte da Gaspetro, distribuidora de gás natural colocada à venda pela Petrobrás. “Recebemos as informações sobre a venda dos 51% de participação da estatal na companhia há poucas semanas e vamos avaliar como participaremos desse processo”, disse Gomes. A companhia japonesa Mitsui é dona dos 49% restantes da Gaspetro. 

A empresa também está de olho em eventuais distribuidoras de gás canalizado que podem ser colocadas à venda pelos governos estaduais. 

Para Adriano Pires, sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a nova estrutura societária da Cosan dá mostras de que a companhia está se preparando para crescer nesse setor. “Vale lembrar que a comercializadora de energia elétrica comprada por eles no fim do ano tem licença para comercializar gás.”

Refinarias

O presidente da Cosan, Marcos Lutz, diz que a companhia não vê, atualmente, a necessidade de o grupo aportar capital em novos projetos que vêm sendo planejados, como a compra de refinarias da Petrobrás e a ampliação das atividades no segmento de energia elétrica e gás natural. “Temos sócios na maioria desses projetos”, disse. 

Segundo Lutz, o cenário de liquidez reduzida em meio à crise provocada pelo novo coronavírus não deve alterar as perspectivas de investimentos e crescimento da Cosan. O executivo disse que, até o momento, os negócios da companhia não sofreram impacto.

No entanto, Lutz admitiu que algumas áreas da empresa poderiam ser afetadas pela desaceleração da economia brasileira, em especial os negócios de combustíveis e lubrificantes. “Nosso negócio é resiliente. Acho que vamos navegar com tranquilidade, apesar da volatilidade.”

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