Cosan deve formalizar hoje oferta por ALL

Grupo de Rubens Ometto terá 27%, TPG e Gávea outros 9% da empresa de logística

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2014 | 02h03

O grupo Cosan, comandado pelo empresário Rubens Ometto Silveira Mello, deverá formalizar hoje proposta para incorporação da ALL (América Latina Logística) pela Rumo. O acordo, contudo, não está concluído. A proposta vai ser submetida aos acionistas da ferrovia, que deverão analisá-la nos próximos 30 a 40 dias, segundo fontes ouvidas pelo 'Estado'.

A Cosan tem pressa porque os fundos de pensão, que fazem parte do atual bloco de controle da ALL - Previ (Fundo de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), Funcef (da Caixa Econômica Federal) e o BRZ ALL (que tem como cotistas Funcef, Petros, Postalis, Forluz e Valia) - estão insatisfeitos com o rumo das negociações. Segundo fontes, eles não teriam participado diretamente das conversas entre as duas companhias.

No novo acordo discutido entre Cosan e ALL, desde o fim de 2013, a Rumo e seus acionistas (os fundos TPG e Gávea) devem ficar com cerca de 36% da nova companhia - a Cosan sozinha ficaria com até 27%, tornando-se a maior acionista individual. O restante fica com os acionistas da ALL.

A nova proposta também prevê mudanças no bloco de controle - hoje composto por Riccardo Arduini, conselheiro da ALL, sua esposa Julia Dora Arduini, GMI (Global Markets Investments, que representa o presidente do conselho de administração, Wilson de Lara), BNDESPar, braço de participações do BNDES; o fundo BRZ ALL, além de Previ, Funcef e BRZ. Pelo novo acordo, os acionistas privados e fundos ficariam de fora do bloco de controle. BNDESPar e Cosan teriam maior espaço. A Estáter, sob o comando de Pércio de Souza, representa a ALL. A Cosan é assessorada pelo Rothschild. Procuradas, as duas companhias não comentam o assunto.

Companhia integrada. A estratégia do empresário Rubens Ometto, fundador do grupo Cosan, é criar uma companhia de logística integrada, unindo ferrovia, rodovia e porto, em um modelo de negócio que ainda não existe no País.

Dos volumes de soja que chegam ao porto de Santos, cerca de 60% são via férrea. No caso do açúcar, apenas 20% chegam ao local por trilhos. No caso da celulose, 65% são escoados por trem. A nova companhia fará pesados investimentos para recuperar a capacidade de escoamento da ALL e ampliar a malha (ferroviária), de cerca de 12 mil quilômetros.

Os planos serão colocados em prática após aprovação da operação pelo Cade. Paralelamente ao acordo em discussão com a ALL, a companhia analisa participar dos leilões de concessões de terminais em Santos, o que dará maior musculatura para que a companhia avance em todos os modais logísticos.

Fundos. Na semana passada, os fundos de pensão mostraram-se insatisfeitos com o andamento das negociações e começaram a procurar bancos para que tenham uma representação independente da ALL. Segundo fontes, os fundos não querem barrar o acordo, mas acertar pontos que os beneficiem.

Os fundos afirmaram que não podem avalizar nenhum negócio sem conhecer todos os detalhes e, principalmente, sem que o valor seja condizente com o tamanho do ativo, já que se trata de uma empresa que controla a infraestrutura do escoamento da safra de soja pelo porto de Santos. "Até então, as negociações que estão em andamento nas últimas semanas não haviam chegado até os fundos. Eles só tinham recebido consultas informais, mas nada foi oficializado", disse outra fonte. A preocupação dos fundos de pensão é que a ALL se torne um centro de custo da Rumo, que teria como principal função transportar o açúcar da Cosan mais barato.

Não é a primeira vez que os fundos colocam barreiras ao acordo. Na primeira proposta feita pela Cosan à ALL, há dois anos, o grupo de Rubens Ometto fez oferta de cerca de R$ 900 milhões para entrar no bloco de controle da companhia. A proposta foi feita diretamente para os acionistas privados - a família Arduini e Wilson de Lara. Meses depois, a oferta foi fatiada para que os fundos fossem incluídos na proposta inicial. As conversações foram interrompidas em agosto do ano passado. Em outubro, as duas companhias entraram em litígio.

Segundo uma fonte ligada à ALL, o que há é uma divisão interna entre integrantes dos fundos de pensão por causa do histórico ruim de negociações envolvendo a Cosan. A atual proposta deve ser bem-sucedida, segundo essa mesma fonte, porque contempla assentos no conselho de administração para cada fundação.

Fontes afirmaram que acionistas minoritários acreditam que o acordo entre as duas companhias contribuirá para fortalecer a ALL. O governo federal também vê essa negociação com bons olhos, uma vez que a mudança de gestão dará uma nova dinâmica à companhia férrea.  (Colaborou Mônica Ciarelli)

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