Cosan e Shell devem ter sinergia de R$ 1 bi

Empresas formalizaram ontem uma joint venture com US$ 12 bilhões em ativos

Paula Pacheco, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 00h00

Resultados. Joint ventures entre Cosan e Shell no Brasil terá potencial de vendas de US$ 21 bilhões por ano              

 

 

 

 

 

Depois de 200 dias de idas e vindas, Cosan e Shell passaram desde ontem a ter formalmente uma joint venture. A associação, com US$ 12 bilhões em ativos, deve gerar pelo menos R$ 1 bilhão em sinergias, segundos executivos próximos à negociação.

Mas há analistas que acreditam que o valor possa ser ainda maior e chegar a cerca de R$ 1,6 bilhão, mesmo valor que será aportado pela Shell na nova empresa. Juntas, as duas companhias têm um potencial de vendas de cerca de US$ 21 bilhões.

Os ativos da joint venture incluem as operações de açúcar, etanol, cogeração de energia, distribuição e comercialização de combustíveis no Brasil.

Segundo o acordo, serão criadas três empresas. Uma será dedicada às operações de açúcar e etanol, cogeração e biotecnologia - com 51% de participação da Cosan e 49% nas mãos da Shell.

Outra será voltada à distribuição e comercialização de combustíveis, com a relação inversa de participação, ou seja, os 51% nas mãos da multinacional petrolífera.

A terceira empresa concentrará apenas a administração dos negócios, não tendo um papel definido nesta ou naquela área.

Apesar da nova empresa ter uma participação igualitária entre os sócios, caberá à Shell fazer o desembolso. Além do aporte de US$ 1,6 bilhão (US$ 1,275 bilhão nos próximos dois anos), a Shell vai carregar para o negócio uma rede de 4.500 postos de combustíveis. A companhia é dona da terceira maior rede varejista de combustíveis do País.

Já a Cosan entrará com ativos, como usinas (são 23 ao todo) e unidades de cogeração, além de carregar para a joint venture uma dívida líquida de US$ 2,5 bilhões, mais um financiamento de R$ 500 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Rubens Ometto, controlador da Cosan, será o presidente do conselho de administração da nova empresa. Foi o próprio Ometto quem deu o sinal verde para que Vasco Dias, ex-presidente da Shell, assumisse o negócio com presidente.

A formação da joint venture só deve ser concretizada no primeiro semestre de 2011, já que depende da aprovação dos órgãos governamentais da União Europeia, o que deve acontecer em menos de dois meses, e do Brasil. Por aqui, a joint venture está nas mãos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) desde fevereiro, mas ainda não entrou na pauta de julgamento.

Segundo Marcos Lutz, presidente da Cosan, apesar de o acordo prever a exploração em conjunto com a Shell da atividade de produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, o foco da nova companhia será mesmo o mercado interno.

"Há muitas oportunidades de expansão no Brasil e será aqui que vamos concentrar nossos investimentos por mais tempo", explica o executivo.

A Cosan deixou de fora do negócio a empresa Rumo, da área de logística, e a Radar, da área de compra e comercialização de terras.

Opção. Ainda de acordo com o contrato, a Shell terá a opção de comprar daqui a dez anos 50% da participação da Cosan na joint venture, que por sua vez poderá decidir ficar com a mesma fatia no negócio ou vender apenas parte da nova empresa. Depois de 15 anos da assinatura do acordo, as sócias poderão voltar à mesa de negociação para rever a participação no capital.

Assim como a participação no capital da nova empresa, a divisão das cadeiras do conselho foi dividida em partes iguais. Serão três assentos para cada companhias. Além de Vasco Dias no cargo de CEO, estão definidos os seguintes executivos: Pedro Mizutani (Açúcar, Etanol e Cogeração), Leonardo Gadotti (Fornecimento e Distribuição), Carlos Piotrowski (Corporativo), Luiz Guimarães (Combustíveis e Aviação), Evandro Gueires (Sustentabilidade), Kilda Magalhães (RH) e Paulo Lopes (Jurídico). Ainda está vago o cargo de CFO.D

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