Cosan fecha trimestre com prejuízo; assegura crédito

A Cosan, maior grupo brasileiro de açúcar e álcool, encerrou o quarto trimestre fiscal com prejuízo líquido de 40,2 milhões de reais, ante resultado negativo de 5,3 milhões de reais no mesmo período do ano passado.

REUTERS

26 de junho de 2009 | 12h56

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, da sigla em inglês) somou 165,9 milhões de reais, ante 49,9 milhões de reais um ano antes. A margem avançou de 5,9 para 7,1 por cento.

No ano, a companhia teve prejuízo líquido de 473,8 milhões de reais contra perda de 47,8 milhões de reais no período fiscal anterior. Enquanto isso, o Ebitda passou de 182,9 milhões para 718 milhões de reais.

A empresa informou que o resultado foi atingido por perdas sem efeito no caixa geradas por variação cambial que atingiram a dívida em dólar e amortizações de ágio causadas por aquisições anteriores. Sem esses efeitos, o resultado final do ano teria sido um lucro líquido de 34,5 milhões de reais.

"Houve um impacto cambial na dívida substancial num período muito curto. Esse impacto já foi revertido", explicou em teleconferência Marcelo Eduardo Martins, diretor financeiro e de relações com investidores.

A Cosan informou que foi feita uma alteração no seu exercício social, antecipando seu encerramento para 31 de março de 2009, o que fez com que o ano fiscal tenha 11 meses e o quarto trimestre, apenas dois.

Entre outros motivos, a empresa decidiu se adaptar melhor ao ciclo da cana e se enquadrar num calendário normal do ano civil, coincidindo com as demais empresas do mercado.

A companhia obteve receita líquida de 2,349 bilhões de reais no trimestre, avançando sobre os 843 milhões de reais no mesmo período do ano passado.

Após a aquisição do grupo de usinas Nova América em março, a Cosan elevou sua capacidade de moagem de cana para 60 milhões de toneladas por ano --mais do que a produção na Austrália, a terceira maior exportadora da commodity.

Em dezembro do ano passado, a Cosan tornou-se ainda a primeira companhia integrada de energia renovável ao finalizar a aquisição da CCL, antiga Esso Brasileira de Petróleo Ltda, detentora dos ativos de distribuição e comercialização de combustível e de produção e comercialização de lubrificantes e especialidades da Exxon Mobil no Brasil.

"O momento é bastante interessante para a Cosan. Foi um dos anos principais em termos de mudanças na companhia decorrentes de aquisições, consolidação dentro do negócio de açúcar e etanol", disse Martins, que não descartou novas aquisições.

EMPRÉSTIMO DE ATÉ R$1,1 BI

Em comunicado separado, a Cosan divulgou que contratou uma reserva de linha de crédito junto ao Bradesco de até 1,1 bilhão de reais para refinanciamento de promissórias usadas na compra das operações da Esso. Os papéis venciam em novembro deste ano e os recursos contratados com o Bradesco têm como objetivo alongar esse prazo por um ano.

A Cosan divulgou que obteve junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) 639 milhões de reais que serão destinados à implantação de usina em Jataí, em Goiás.

O BNDES também concedeu cerca de 149 milhões de reais a um projeto de co-geração de energia na unidade Gasa, em São Paulo. Segundo a companhia, o banco financiará aproximadamente 65 e 78 por cento do total a ser investido nos projetos de Jataí e Gasa, respectivamente, por um prazo de até 12 anos.

MOAGEM

De acordo com Marcos Lutz, vice presidente comercial e de logística, o grupo Cosan deverá moer cerca de 57 milhões de toneladas de cana-de-açúcar nesta temporada, que começou por volta de abril, sendo que até quinta-feira já havia processado 19,7 milhões de toneladas.

Em 2008/09, a Cosan fechou a safra com moagem de 44,2 milhões de toneladas de cana, produção de 1,71 bilhão de litros de etanol e 3,26 milhões de toneladas de açúcar.

Com um perfil mais açucareiro, a empresa deverá destinar 55 por cento da cana para a produção de açúcar e o restante para o álcool. De acordo com Lutz no ano anterior o mix de produção ficou em praticamente 50 por cento para cada produto.

A empresa aposta na alta dos preços do açúcar verificada ultimamente. Nesta semana, os preços do açúcar bruto negociados em Nova York atingiram o maior patamar em três anos.

"Nossa expectativa é de que sim, o preço do açúcar deve aumentar substancialmente o resultado da empresa", disse Martins.

"É muito difícil dizer qualquer tendência de qualquer produto, entretanto temos uma situação específica de mercado no açúcar, o que leva a crer que o preço dessa commodity deve manter essa tendência de alta".

(Por Alberto Alerigi Jr. e Camila Moreira)

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