Cosan pode se tornar a maior exportadora do País

Mais do que disparar na liderança brasileira do processamento de cana e na produção de açúcar e álcool com a aquisição da Vale do Rosário, o Grupo Cosan pode se tornar a maior trading exportadora do País com a soma de suas operações e a participação na Crystalsev. A Vale do Rosário tem 35% de participação na Crystalsev, que negocia a produção de cinco unidades processadoras do interior paulista, o equivalente a 26 milhões de toneladas de cana-de-açúcar processadas por safra.Diniz explicou que, caso a compra da Vale do Rosário se concretize, Cosan e Crystalsev teriam uma parcela do mercado de mais de 17% do setor no Brasil e ultrapassaria a Copersucar, cooperativa que centraliza a produção e a exportação de 29 usinas independentes.De acordo com dados apresentados pelo Grupo Cosan na conferência, a Companhia Açucareira Vale do Rosário é hoje o segundo maior player do setor no País, com capacidade de moagem de 10 milhões de toneladas de cana. A Cosan declara ter capacidade de moagem próxima a 40 milhões de toneladas. Diniz informou que além de 100% da Usina Vale do Rosário, em Morro Agudo (SP), o grupo de acionistas tem praticamente o controle total da Usina Jardest, em Jardinópolis e 50% da Usina MB, também em Morro Agudo.A Companhia Açucareira Vale do Rosário possui ainda o controle da Usina Frutal, na cidade homônima mineira, cujo processamento deve começar este ano com 700 mil a 800 mil toneladas moídas para uma capacidade máxima de 2,5 milhões de toneladas de cana. Por fim, é sócia da Companhia Santa Elisa e do Grupo Maeda na futura usina tropical, a ser montada na cidade de Edéia, em Goiás.O Grupo Cosan estima que a Vale do Rosário gerou vendas de US$ 315 milhões na safra 2005/2006, encerrada em 30 de abril do ano passado, teve um Ebtida de US$ 70 milhões, um lucro líquido de US$ 22 milhões, com posição de dívida líquida de U$ 105 milhões, 90% no longo prazo. De acordo com o os executivos do Grupo Cosan, a previsão para este ano-safra é de aumento nesses números. Já a Crystalsev registrou vendas de US$ 190 milhões e um lucro líquido de US$ 15 milhões em 2005/2006.AçõesA Cosan informou nesta quinta-feira, em conferência com investidores e analistas, que cogitou suspender temporariamente os negócios com as ações da companhia na Bovespa na quarta, após o suposto vazamento da negociação de compra do capital acionário da Companhia Açucareira Vale do Rosário. Paulo Diniz, vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores da Cosan e porta-voz da companhia na conferência, informou que a leitura do mercado na manhã de quarta apontava fortes indicações do vazamento do assunto.Imediatamente a companhia informou a situação à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Bovespa, que iriam publicar um fato relevante sobre o assunto. Segundo o executivo, não era possível ter certeza do vazamento das negociações e, assim, faria todo sentido uma suspensão temporária da negociação das ações. De acordo com ele, após as instituições receberem e analisarem o fato relevante, decidiram manter o "trade" regular das ações.NegociaçãoDiniz ratificou na conferência que não iria revelar os detalhes financeiros da operação de compra da Vale do Rosário até que esta seja definida, devido a um contrato de confidencialidade. O executivo confirmou, no entanto, que o Grupo Cosan foi procurado há cerca de um ano por um grupo de acionistas minoritários da Vale do Rosário e os informou de que não teria interesse no negócio sem que houvesse o controle majoritário. Há dois dias, de acordo com o executivo, o grupo os procurou novamente já com a garantia de que poderiam retomar as discussões, pois já havia se tornado majoritário. A partir daí foi assinado o acordo confidencial.O grupo Cosan mantém o silêncio, mas fontes do mercado e acionistas da Vale revelaram na quarta-feira à Agência Estado que o valor oferecido por 100% da Vale do Rosário seria de US$ 750 milhões e que a Cosan já teria garantida a compra de 50,2% das ações da ainda concorrente. A Vale do Rosário tem hoje 109 acionistas.Diniz, que considera as negociações no estágio embrionário, informou aos investidores e analistas quais os trâmites do negócio. Os acionistas da Vale do Rosário têm o direito de exercerem a opção de compra da participação dos que querem o negócio com a Cosan e têm até 30 dias para isso. Em seguida, a própria Companhia Vale do Rosário pode exercer esse direito e, numa terceira etapa, as ações seriam oferecidas a uma terceira parte, no caso o Grupo Cosan. Por isso o processo pode demorar até três meses.O executivo disse ainda que o termo hostile takeover (oferta hostil) não faz parte do vocabulário da companhia e que espera ter certeza que todos os acionistas da Vale do Rosário estejam contentes caso o negócio seja concretizado.O grupo Cosan vai utilizar dinheiro ou mesmo troca de ações na compra da Vale do Rosário, caso seja efetivada. Diniz informou que, na operação, a companhia estará também contemplando um fortalecimento de sua estrutura de capitais, eventualmente até fazendo um follow-up, ou seja, uma nova oferta de ações. Ele não comentou, e nem foi questionado pelos investidores, a possibilidade da emissão de ADRs na Bolsa de Nova York.Diniz informou ainda que, alternativamente, o Grupo Cosan pode fazer um empréstimo junto a acionistas estratégicos da companhia, desde que seja em condições favoráveis. Por fim, o executivo declarou que a empresa pretende seguir a estratégia de acessar o mercado, quer seja de equity, quer seja de dívida, outras vezes no futuro.

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