Cosan prevê recorde de exportações de etanol em 2008/09

A Cosan, maior grupo brasileiro deaçúcar e etanol, divulgou na quinta-feira que espera um recordenas exportações de álcool em 2008/09 (maio-abril), sendo quemetade do volume comercializado terá como destino o mercado dosEstados Unidos. As exportações de etanol da Cosan devem responder por 25por cento da produção projetada para a temporada, em comparaçãocom menos de 20 por cento nos últimos anos, afirmou ovice-presidente comercial da Cosan, Marcos Lutz. "Este (aumento nas exportações) é uma mudança estrutural.Estamos construindo relações com parceiros internacionais, nasquais garantimos fornecimento constante, relações além domercado físico", disse Lutz durante uma teleconferência parajornalistas. A Cosan S.A., subsidiária da Cosan Ltd, anunciou umprejuízo de 5,3 milhões de reais (3,39 milhões de dólares) noquarto trimestre, entre fevereiro e abril, devido à queda nospreços do açúcar e do aumento de custos. No ano passado, aempresa teve lucro de 164,7 milhões de reais no mesmo período. As exportações de álcool do centro-sul brasileiro foramestimadas em 5 bilhões de litros nesta temporada, contra 3,1bilhões de litros em 2007/08, principalmente devido à fortedemanda norte-americana. O Brasil, maior exportador mundial de açúcar e álcool,encontra-se na metade de uma colheita recorde de cana na qualas usinas dão preferência à produção de álcool, frente aopequeno retorno financeiro oferecido pelo açúcar. A Cosan manteve os planos anunciados anteriormente sobreinvestimentos de usinas de etanol fora do país, mas informouque provavelmente vai esperar pela definição da tarifa aplicadasobre o produto nos EUA antes de tomar qualquer decisão. "Existe uma pressão crescente da população norte-americanacontra a tarifa do etanol. Então precisamos ter cuidado paranão tomarmos um passo que pode não ser tão interessante nofuturo", afirmou o vice-presidente da Cosan, Paulo Diniz. Ele citou como exemplo as usinas de desidratação no Caribe.Graças ao acordo comercial da Iniciativa da Bacia do Caribe(CBI, em inglês), a região é isenta de uma tarifa de 54centavos de dólar por galão aplicada pelos EUA às importaçõesde álcool. Aproveitando esta vantagem, diversas companhiasbrasileiras construíram usinas na região. As empresas enviam regularmente álcool hidratado parapaíses como El Salvador e Jamaica, transformam o combustível emálcool anidro e exportam o produto para os EUA com isenção detarifa. Atualmente, a Cosan realiza este tipo de operação pormeio de parcerias. "Em um ano de eleição (presidencial) nos EUA, é prudenteesperar um pouco para ver o que vai acontecer no cenáriopolítico antes de tomar decisões de muito longo prazo",acrescentou Lutz. Após uma série de aquisições de usinas nos últimos anos,Lutz disse que a Cosan ainda avalia possíveis compras noBrasil. "É prudente estar bastante preparado para oportunidades quepodem aparecer no Brasil, também. As usinas que hoje estão emsituação financeira delicada podem eventualmente ser alvosfáceis", disse Lutz. A Cosan recentemente entrou no setor de distribuição decombustíveis após adquirir os ativos dos postos deabastecimento da Exxon Mobil no Brasil.

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