Cosan quer crescer em gás natural e avalia portos

Projeto para construção de gasoduto deverá ser definido em um ano e concessão de portos está no radar da companhia

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2014 | 02h05

Os projetos de expansão do Grupo Cosan não estão limitados aos investimentos na nova empresa que será formada a partir da incorporação da Rumo, subsidiária de logística da companhia, com a ALL. No radar da empresa, estão ainda a participação em concessão portuária em Santos (SP) e planos para atuar como operador ferroviário independente.

Na divisão de energia, a companhia tem em seu horizonte estudos para crescer na área de gás natural, por meio da Comgás, afirmou Marcos Lutz, presidente do grupo. Uma das alternativas é investir em gasodutos. Já há um time da Cosan avaliando o negócio, que poderá ser em sociedade com a Petrobrás, trazendo gás do pré-sal. "Em um ano, mais ou menos, a gente toma a decisão de abandonar ou avançar esse projeto para a fase de detalhamento."

Líder na distribuição de gás canalizado, por meio da Comgás, o grupo não descarta expandir a área de concessão para outras regiões no Brasil, caso surjam oportunidades, disse Lutz.

Os planos de ampliação para infraestrutura nas áreas de portos e ferrovias vão além do projeto Rumo-ALL, mas dependem dos processos de licitação. No caso portuário, os leilões dependem do aval do Tribunal de Contas da União (TCU), que pediu revisão dos estudos. Em ferrovia, embora o projeto da nova Rumo-ALL seja ambicioso, Lutz disse que, se houver demanda de clientes na Norte-Sul, a Cosan não descarta fazer a operação.

Aquisições. O apetite por aquisição deve continuar firme, mas focado nos negócios de atuação do grupo. "Podemos investir em outras empresas, mas não em novos negócios", disse Marcelo Martins, vice-presidente de finanças e relações com investidores.

Na divisão de combustíveis, a estratégia será de crescimento orgânico com a conversão de postos com a bandeira Shell e compras de negócios regionais. No segmento de açúcar e etanol, o grupo é mais cauteloso por conta da situação delicada do setor.

No primeiro trimestre, o grupo registrou receita líquida de R$ 9,593 bilhões, alta de 13% sobre igual período de 2013. O lucro líquido no período saltou de R$ 27 milhões para R$ 256 milhões. O açúcar e etanol, que representavam 100% da receita do grupo até 2007, hoje ficam com uma fatia de cerca de 20%.

Um dos maiores consolidadores do setor sucroalcooleiro do País, Rubens Ometto Silveira Mello, fundador do grupo, criticou, na quinta-feira, a atual política de preços do governo federal para combustíveis. Em evento, em Nova York, onde foi homenageado como personalidade do ano pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, afirmou que principais conquistas do segmento do etanol podem ser enterradas. "O setor passa por problema estrutural, que vem de muitos anos. Essas críticas que faço são construtivas. Sou antes de tudo brasileiro, não tenho partido político, e acredito que o setor precisa de mais atenção."

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