Cosan suspende projetos de construção de novas usinas

Empresa diz que investimentos em novas unidades só voltarão quando o mercado estiver mais 'atraente'

Eduardo Magossi, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

Com a entrada em operação das unidades de Jataí e Caarapó, a Cosan vai interromper seus investimentos em novas usinas no curto prazo. "Os investimentos na construção de novas usinas apenas voltarão quando o mercado se mostrar mais atraente", disse Marcelo Martins, diretor financeiro e de relações com investidores da Cosan. Segundo ele, os novos investimentos serão direcionados à expansão e a melhorias das unidades existentes. A unidade de Jataí deve entrar em operação ainda em setembro, e Caarapó ligará suas caldeiras em outubro.

No ano fiscal que termina em março de 2010, os investimentos programados pela Cosan são de R$ 1,4 bilhão. O orçamento exclui os recursos utilizados na compra da NovAmerica. "Desse total, os investimentos já realizados foram pequenos."

Segundo Martins, os US$ 350 milhões captados pela Cosan Combustíveis e Lubrificantes (CCL) serão utilizados para pagar um terço da dívida que a unidade possui com o Bradesco, referente à compra da Esso, de R$ 1,1 bilhão. O pagamento vai alterar o perfil da dívida da Cosan. A dívida de curto prazo, que hoje é de 24%, cairá para 10% (cerca de R$ 300 milhões).

NOVA OFERTA

A Rumo Logística, subsidiária da Cosan, deverá realizar uma emissão privada de ações (venda direta de ativos para um investidor institucional) para captar recursos e dar sequência a investimentos na malha ferroviária paulista. A Rumo é parceria da ALL, que detém a concessão das linhas férreas. De acordo com o diretor financeiro da Cosan, a operação deverá ser concretizada em até 60 dias. "Depois da captação, a Cosan deverá permanecer como o principal acionista, com uma participação entre 65% e 70% no controle da Rumo", disse Martins.

Os investimentos da Cosan na Rumo estão orçados em R$ 1,2 bilhão, dos quais R$ 800 milhões devem ser investidos nos próximos dois anos. O executivo afirma que os investimentos serão direcionados para a aquisição de 79 locomotivas e em expansão e melhoria da malha ferroviária paulista.

A expectativa é de que a capacidade de transporte atinja 9 milhões de toneladas de açúcar por ano em 2013. A Rumo não vai transportar apenas o açúcar produzido pela Cosan. Seus ganhos virão de uma comissão sobre os produtos transportados.

Quando a Rumo estiver operando, a expectativa é de que ela responda por cerca de 20% da geração de caixa (Ebitda) da Cosan. Martins acredita que, em 2013, as atividades de cogeração de energia, com uso de bagaço de cana, juntamente com a Rumo e com a CCL, possam atingir entre 55% a 60% do Ebitda, enquanto açúcar e álcool responderão por 40%.

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