Cota da UE para frango brasileiro é adiada para julho

As cotas impostas pela União Européia (UE) para as importações de carne de aves do Brasil passam a valer a partir de 1º de julho deste ano e não mais em 1º de abril como estava previsto. De acordo com Ricardo Gonçalves, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Frango (Abef), a data foi adiada porque ambas as partes ainda negociam como será a administração dessas cotas. Na próxima segunda-feira, 26, UE e Brasil reúnem-se em Bruxelas para continuar as negociações.Segundo um acordo fechado no ano passado, o Brasil terá cota de 336 mil toneladas para suas exportações de carnes de frango e peru industrializado para o mercado europeu. A negociação veio depois que a UE, obrigada a baixar suas tarifas para o peito de frango salgado após derrota sofrida na Organização Mundial do Comércio (OMC), resolveu restringir a entrada de carne de aves de exportadores como Brasil e Tailândia.Do total da cota brasileira, 170.807 toneladas são de frango salgado, 73 mil toneladas para frango congelado e 92.300 toneladas para peru industrializado. Dentro das cotas incidem tarifas que variam de 8,5% a 14,5%, dependendo do produto. Fora da cota, a taxa é de 1.024 euros por tonelada.A imposição das cotas vai limitar o crescimento das exportações brasileiras de frango para a Europa. No primeiro bimestre deste ano os embarques cresceram 48,79% para 73.988 toneladas, segundo dados da Abef, e a receita cambial aumentou 45,72% para US$ 151,994 milhões. Instaladas as cotas, esses percentuais não devem se repetir. "Hoje, sem a restrição, existe uma janela de oportunidade para exportar para o mercado europeu que a indústria brasileira está aproveitando", comenta Gonçalves.Outros mercadosAs exportações para o Oriente Médio, maior mercado para a carne de frango brasileira, cresceram 24,72% no primeiro bimestre, segundo a Abef, para 132.038 toneladas. A receita somou US$ 150,875 milhões, 19,37% a mais que no mesmo período do ano anterior. Para a Ásia, as exportações foram de 112.195 toneladas, com uma redução de 11,19%. A receita cambial, de US$ 137,272 milhões, teve redução de 16,89%. Para a Rússia, exportações somaram 18.856 toneladas, o que representou uma queda de 23,55%. E a receita foi de US$ 22,383 milhões, com redução de 15,21%. Para a América do Sul foram enviadas 23.318 toneladas, queda de 42,69%. Na receita a queda foi de 44,17%, com US$ 25,923 milhões.

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