Cota para importar carros do México já está esgotada

De agora até março, a montadora que quiser trazer carros do país vai pagar 35% de imposto de importação, o que encarece produto

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2012 | 02h07

A cota de importação de veículos do México isenta de imposto, prevista até março, já se esgotou. A partir de agora, os carros trazidos do país terão de pagar Imposto de Importação (II) de 35%, o que pode tornar inviável sua venda no País.

As montadoras tentam compensar a limitação com a produção local. A Ford iniciará no próximo ano a produção do novo Fiesta hatch em São Bernardo do Campo (SP), e trará do México, por um tempo, só a versão sedã. A Nissan, maior importadora de carros mexicanos, vai inaugurar fábrica em Resende (RJ) em 2014 onde produzirá ao menos dois dos quatro modelos hoje trazidos daquele país.

Desde abril, quando a restrição efetivamente entrou em vigor, foram importados US$ 1,387 bilhão em veículos, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A cota prevista até março de 2013 é de US$ 1,45 bilhão, ou seja, a diferença de US$ 63 milhões foi atingida neste mês.

A Honda, com cota de US$ 40,2 milhões, decidiu que só voltará a trazer o utilitário-esportivo CR-V a partir de março, quando entra em vigor nova cota por mais 12 meses. A Nissan já havia informado que atingiu sua cota de US$ 239 milhões (35 mil veículos) há três meses.

Depois de suspender as importações dos modelos March, Versa, Sentra e Tiida, o que levou a uma fila de espera pelo compacto March, o mais vendido da marca, a Nissan voltou a trazê-lo neste mês. Com o imposto, o preço do carro ficou cerca de R$ 1 mil mais caro. Segundo a empresa, o repasse só não foi maior porque fábrica e concessionários absorveram parte do custo. Segundo o presidente da Nissan, Christian Meunier, se o II fosse repassado integralmente, os preços subiriam 10%, mas o reajuste para March e Sentra foi de 2% a 5%. A partir de janeiro, o grupo poderá usar parte da cota acertada no Inovar-Auto com isenção de 30 pontos porcentuais do IPI, mas, para os carros do México ainda será preciso para o II do volume que superar a cota do regime automotivo com o país.

Para Julian Semple, consultor da Carcon Automotive, é possível que, por um período, as montadoras tenham de operar com baixa lucratividade ou até com prejuízos nos modelos trazidos do México para não perder mercado. "Em 2013 acredito que as empresas serão mais conservadoras e trarão menos produtos".

Plano congelado. A Fiat reajustou preços dos modelos 500 e Freemont e optou, desde o início, por mesclar parte da importação dentro da cota e parte pagando o II. A marca tinha direito a importar US$ 173,8 milhões (cerca de 18 mil carros). A General Motors congelou os planos de trazer ainda este ano o utilitário-esportivo Trax, que competiria com o Ford EcoSport.

"Vamos ter de fazer as contas e analisar o que será possível trazer em 2013, quando começa a nova cota, a partir de março", diz o presidente da GM América do Sul, Jaime Ardila. A montadora pensou em produzir o Trax no Brasil, mas, em razão das novas exigências de conteúdo local do Inovar-Auto achou a medida inviável no curto prazo".

A limitação também atrapalhou o projeto da GM de vender 1,2 mil unidades ao mês das versões hatch e sedã do Sonic. Inicialmente importado da Coreia do Sul, o modelo passou a ser feito no México há dois meses, mas, em razão da distribuição da cota entre Sonic e o utilitário Captiva, o volume será reduzido, diz Ardila. Segundo ele, os estoques de Captiva e Sonic são suficientes até o fim do ano.

A decisão de impor cotas partiu do governo brasileiro, insatisfeito com o aumento das importações do México, país com o qual tem acordo de livre comércio no setor automotivo. Em 2011, a balança comercial foi negativa em US$ 1,54 bilhão para o Brasil. Desde o estabelecimento da cora, que vale para ambos países, o Brasil exportou US$ 232,6 milhões, o que resulta em déficit de US$ 1,15 bilhão no período.

De 2000 a 2007, o saldo foi positivo para o Brasil. A reversão ocorreu em 2008 e, desde então, o déficit só cresce e mais que dobrou de 2010 para 2011. A cota para 2013 é US$ 1,56 bilhão, vai a US$ 1,64 bilhão em 2014 e volta o livre comércio em 2015, mas o México quer mudar essa regra.

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