Clayton de Souza/Agência Estado
Clayton de Souza/Agência Estado

Cotação do dólar muda planos de turistas com viagem marcada para o exterior

Em dia de volatilidade, moeda americana fechou em baixa, mas chegou a ser cotado a R$ 4,38 nas casas de câmbio de São Paulo

Ana Luiza de Carvalho, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2019 | 18h00
Atualizado 21 de setembro de 2019 | 13h42

Para preocupação de quem tem viagem marcada para o exterior, o dólar turismo começou esta sexta-feira, 20, em alta e chegou a ser negociado por R$ 4,38 nas casas de câmbio de São Paulo. Em dia de volatilidade, com a cotação influenciada por fatos externos e também pelo mercado interno, a moeda encerrou a semana em baixa de 0,22%. No período de um mês, porém, a alta acumulada é de 2,54%.

A diretora da casa de câmbio GetMoney, Vanessa Blum, explica que um dos motivos da recente alta do dólar é a guerra comercial. “Enquanto China e Estados Unidos continuarem tarifando produtos, com esse protecionismo, não há cenário de melhora para o câmbio”, afirma.

 

O gerente de câmbio da OuroMinas, Mauriciano Cavalcanti, destaca ainda outros acontecimentos da semana como o ataque a uma petrolífera da Arábia Saudita, que provocou aumento no preço do petróleo em todo o mundo. “Toda vez que acontece algum fato dessa grandeza o mercado é afetado, principalmente as moedas emergentes”, explica.

Para Vanessa Blum, porém, o fator mais relevante para a alta do dólar comercial é o mercado interno brasileiro. Na última quarta-feira, 18, o Comitê de Política Monetária anunciou um novo corte da meta da Selic, que caiu para 5,5% ao ano, no menor patamar da história.

 

 

 


Ela explica que com a queda na rentabilidade das aplicações em renda fixa, a tendência é de os investidores buscarem ativos mais rentáveis, como o dólar e o ouro. Com a maior demanda pela moeda, os preços sobem.

Além disso, outra questão considerada pelos investidores seria a falta de confiança na economia brasileira. “O real não está forte, internamento o cenário é de crise. O que a gente precisa é de notícia interna boa para valorizar o real, mudanças estruturais como a reforma da Previdência”, afirma Vanessa.

Para a analista, a tendência dos próximos dias é de alta. “Quando o Banco Central intervém o dólar cai um pouquinho, por cerca de 40 minutos, e volta a subir. As intervenções não estão funcionando.”

 

Mudanças de planos para turistas

Contando com a reforma da Previdência, que já foi aprovada na Câmara e agora é discutida no Senado, a advogada Rosana Matos ainda não comprou dólares para a viagem que fará para Orlando, nos Estados Unidos, no próximo dia 13. “A gente está esperando um pouco para ver se teria alguma baixa depois de aprovar a reforma. Estamos esperando que ainda aconteça alguma coisa”, explica. 

O plano da advogada é ir a três parques da Disney, mas ela admite que se o dólar estiver ainda mais caro em 1.º de outubro, data limite em que ela espera comprar os dólares, os passeios podem ser cortados. “A prioridade é fazer o enxoval da minha cunhada, que ganha bebê em janeiro. Nos parques a gente pode ir depois”, afirma.

A estudante That Loranny Lima também adiou a compra de dólares contando com a aprovação da reforma. “Comprei agora assustada, porque um tempo atrás eu já tinha o dinheiro disponível e o dólar estava R$ 3,74, mas decidi esperar. Foi a maior besteira que eu fiz”, desabafa.

That viaja para Orlando, na Flórida, no próximo dia 26, e já refez sua programação. Ela iria visitar quatro parques da Disney e um do Universal Studios, com valor total dos ingressos estimado em R$ 2.800. Agora, o roteiro foi reduzido a três parques, que vão custar mais de R$ 2.900.

Os planos de compra também mudaram. “A gente estava se programando pra trazer muita coisa, como eletrônicos e perfumaria, mas com o dólar a esse preço não está compensando mais”, afirma That. O grupo esperou para reservar o aluguel do carro e, com isso, amargou R$ 300 de prejuízo.

That passou a manhã desta sexta procurando as melhores cotações. “Tenho amigos que não compraram dólar até hoje, minha mãe também não comprou. A gente está um pouco desesperado”, afirma. O melhor preço encontrado por That foi de R$ 4,35, no banco em que é correntista. Nas casas de câmbio, a cotação chegou a R$ 4,38.

Além do pacote da Disney, outras atrações turísticas dos Estados Unidos registraram alta nos preços. Em uma agência de turismo da zona norte de São Paulo, a entrada do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), que custa US$ 32, passou de R$ 112 para R$ 120 entre o último dia 10 e esta sexta-feira.

O ingresso do musical Rei Leão na Broadway vendido a U$ 311, saltou de R$ 990 para R$ 1.150. Apesar da alta, a agência afirma que ainda não repassou a flutuação do dólar turismo desta sexta e que trabalha com uma cotaçã promocional. A partir da próxima semana, os preços dos ingressos podem subir ainda mais se a moeda americana seguir a tendência de alta.

 

O que é o dólar turismo e como se proteger das altas do dólar

O dólar turismo é a cotação praticada na venda de papel moeda para quem vai viajar para fora do País. A cotação não é a mesma do dólar comercial, utilizado em operações como importações e exportações.

Vanessa Blum afirma que, para evitar as oscilações da moeda, o melhor é se planejar e não esperar um suposto momento de queda. “Uma orientação unânime no mercado é que as pessoas se programem e façam as compras fracionadas, por exemplo um lote de dólares por mês. Quem faz isso não pega o melhor momento do mundo, mas também não pega o pior, fazendo um preço médio”, afirma.

Essa também é a orientação de Mauriciano Cavalcanti. “O turista não deve especular, apostar que a cotação vai cair. Ele deve aproveitar os momentos de leve baixa para comprar um pouco de dólares. Não precisa comprar tudo de uma vez, é melhor fazer uma média para não ter surpresas”, recomenda.

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