Cotação do dólar passa os 15 pesos no mercado paralelo da Argentina

Moeda bate novo recorde e já é chamada de ‘dólar baile de debutante’; ‘Mas qualquer hora chega à maioridade’, dizem

Ariel Palacios, correspondente, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2014 | 20h45

BUENOS AIRES -  A cotação do dólar no mercado paralelo argentino chegou nesta quarta-feira à faixa dos 15,10 pesos. Por esse motivo, o irônico humor portenho batizou esse novo nível da cotação - um recorde desde 1991 - de “dólar baile de debutante”, em alusão ao número 15.


Vários “arbolitos” (denominação dos doleiros na Argentina) comercializaram a divisa americana em 15,30 pesos. “Agora é debutante, mas qualquer hora chega à maioridade”, afirmavam humoristas nas redes sociais e nas estações de rádio em Buenos Aires, em alusão às especulações dos economistas da city financeira portenha, de a cotação poderia passar dos 21 pesos até o fim deste ano. 


Em janeiro, quando o dólar no paralelo chegou a 10 pesos, os argentinos denominaram esse patamar de “dólar Messi”, em referência ao número 10 da camisa do astro do Barcelona na seleção argentina. 


Ao longo do ano os argentinos também batizaram de “dólar Tevez” e “dólar Mascherano” quando a cotação chegou a 11 pesos e 14 pesos, respectivamente.

Enquanto o dólar no paralelo dispara, a cotação oficial da divisa americana sobe de forma mais discreta. Ontem, a cotação do governo Kirchner encerrou a jornada em 8,42 pesos. Em janeiro, estava em 6,56 pesos.


Com isso, a brecha existente entre ambas cotações é de 78%, a segunda maior desde o ressurgimento do mercado paralelo, em 2011, depois que a presidente Cristina Kirchner implementou o “corralito verde”, denominação da bateria de restrições impostas à população para a compra da moeda americana.


Tiro pela culatra. A cruzada antidólar deflagrada pelo governo há quase três anos teve o efeito de um tiro pela culatra, já que levou mais argentinos à procura do dólar, divisa que é o refúgio favorito dos argentinos há 40 anos.

As restrições também estão gerando problemas para as empresas argentinas que desejam importar commodities e produtos industrializados, já que não contam com acesso à moeda americana.


Desde o início deste ano o dólar no mercado paralelo subiu 50,4%, enquanto a cotação oficial teve um aumento de 29% no mesmo período.


No entanto, os economistas destacam que a margem de competitividade que o câmbio poderia ter propiciado ao país praticamente desapareceu por causa da alta da inflação. Segundo economistas das principais consultorias de Buenos Aires, a alta dos preços teria sido de 24% de janeiro a agosto deste ano. O índice oficial, medido pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censo (Indec), é contestado.

Recentemente, a presidente Cristina Kirchner criticou os argentinos que poupam em dólares, afirmando que sua taxa de rentabilidade não havia sido significativa. 


No entanto, a própria presidente Cristina mantinha até 2012 aplicações financeiras na divisa americana em bancos argentinos, em um total de US$ 3 milhões. Por causa do escândalo provocado na época, a presidente decidiu “pesificar” sua aplicação.


Reservas. O governo Kirchner pretende utilizar US$ 11,88 bilhões das reservas do Banco Central para pagar dívidas com seus credores reestruturados. O volume equivale a 40% das reservas do Banco Central, atualmente ao redor de US$ 28 bilhões. 


O gasto das reservas está previsto no projeto de orçamento nacional, que será levado ao plenário do Parlamento nos próximos dias. O projeto deve ser aprovado, já que o governo Kirchner conta com maioria, embora ajustada.

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