Joédson Alves/EFE
Joédson Alves/EFE

Bolsa sobe 2,1% e dólar cai de olho nas eleições para presidência da Câmara e do Senado

Parlamentares decidem hoje quem vai ocupar os cargos no Congresso pelos próximos dois anos; expectativa é que candidatos apoiados pelo governo sejam os vencedores

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2021 | 14h02
Atualizado 01 de fevereiro de 2021 | 19h11

De olho no andamento para as eleições da Câmara e do Senado - e também influenciada pela onda de otimismo que dominou os mercados internacionais -, a Bolsa brasileira fechou com alta de 2,13%, aos 117.517,57 pontos nesta segunda-feira, 1. No câmbio, o dólar também foi favorecido pelo movimento e fechou em queda de 0,45%, cotado a R$ 5,4498.

O encaminhamento de novos comandos para Câmara e Senado nesta segunda metade de governo Bolsonaro pode contribuir para a redução de ruídos políticos e mesmo para uma progressão mais suave da pauta legislativa, avalia o mercado. Na Câmara, "ambos os candidatos são reformistas, mas a vitória de um candidato pró-governo facilitaria o diálogo", diz Camila Abdelmalack, economista chefe da Veedha Investimentos. "Há um ganho de interlocução, mas existem problemas que precisam ser resolvidos dentro do próprio governo, como a definição de agenda - o que vinha sendo feito por iniciativa do Congresso, com Maia."

"Temos ainda uma agenda remanescente, a tributária e a administrativa, sobre a qual o governo não demonstrou compromisso", acrescenta a economista, que chama atenção também para as feridas que podem derivar da derrota política de Rodrigo Maia e do grupo em torno de Baleia Rossi, do MDB, após o racha no bloco que havia se articulado para uma candidatura independente do Planalto - agora, com potencial para dificultar a aprovação de matérias de maior peso, que exigem quórum e votação diferenciados, como as constitucionais.

No cenário externo, a atenção segue concentrada no pacote fiscal do governo Joe Biden, originalmente marcado em US$ 1,9 trilhão, mas que tem dado sinais de que pode ser desidratado, principalmente após a contraproposta republicana de US$ 600 bilhões. Ainda assim, a simples chance de mais estímulos animou Nova York, onde Dow Jones, S&P 500 e o Nasdaq tiveram ganhos de 0,76%, 1,61% e 2,55% cada. Ásia e Europa também subiram.

Com o resultado de hoje, o Ibovespa passa agora a limitar as perdas a 1,26%. "Depois da forte queda no último pregão de janeiro, a Bolsa começou o mês de fevereiro com uma alta de 2%, respeitando seu principal suporte de curtíssimo prazo, na faixa de 115 mil pontos, no qual existe uma boa relação de risco para ser tomada", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

A proximidade do início dos balanços do quarto trimestre deu impulso às ações de bancos, como Santander, em alta de 3,92% e Itaú PN, de 2,65%, que divulga resultados após o fechamento. Destaque também para ganhos acima de 3,77% de Vale ON e de 3,15% para Petrobrás PN. Siderurgia tabém teve dia de recuperação, em especial CSN, em alta de 4,24%. Na ponta do Ibovespa, Eletrobrás PN e ON subiram 8,98% e 7,46% cada.

Câmbio

O dólar teve novo dia de volatilidade, com o mercado de câmbio esperando a definição da eleição para as presidências da Câmara e do Senado. Embora a perspectiva seja de vitória dos candidatos apoiados pelo governo - deputado Arthur Lira (PP-AL) e senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) - pairou um clima de cautela nas mesas de operação, enquanto na Bolsa houve ambiente de mais animação, ajudado pelo exterior também positivo. Assim, a moeda americana operou em queda em vários emergentes, mas a perda ante o real foi mais discreta. O dólar para março fechou em queda de 0,56%, a R$ 5,4355.

No fechamento, o dólar à vista terminou a segunda-feira em queda de 0,45%, cotado em R$ 5,4498. No mercado futuro, o dólar para março cedia 0,39% às 18h10, em R$ 5,4445, com volume de negócios mais fraco hoje. No México, o dólar caiu 0,80%, na África do Sul recuou 0,62% e na Turquia, 1,61%./ LUÍS EDUARDO LEAL E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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