Reuters
Reuters

Dólar cai 1,74% e Bolsa sobe com caminho aberto para reformas no Congresso

Vitória dos candidatos apoiados pelo governo para a presidência da Câmara e do Senado alimenta a perspectiva de que pautas importantes, como a das reformas estruturais, vão começar a andar nas Casas

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2021 | 09h13
Atualizado 02 de fevereiro de 2021 | 19h05

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, reduziu o ritmo de alta no final da tarde desta terça-feira, 2, e teve alta de 0,61%, ficando aos 118.233,81 pontos, mas o dólar fechou em queda forte de 1,74%, cotado a R$ 5,3548. Anima o investidor na sessão de hoje, a perspectiva positiva com o avanço de reformas fiscais no Brasil, após as eleições no Congresso que deram vitória para candidatos governistas.

"A impressão é que chegamos a um momento mais positivo para reformas", afirma o estrategista-chefe e gestor de moedas da Infinity Asset, Otávio Aidar, ao comentar as vitórias do deputado Arthur Lira (PP-AL) para comandar a Câmara e Rodrigo Pacheco (DEM-MG para o Senado. Para Aidar, aparentemente, há agora um alinhamento de interesses mais claro e mais direto entre o governo e o Congresso. "Não faltam projetos do governo, mas não são projetos impossíveis, tem a PEC Emergencial, que facilita muito o cenário". Momentos recentes do Congresso mostraram que o pior cenário é quando o presidente da Casa e o presidente da República não se entendem, o que gera constantemente ruídos e incertezas.

Na tarde de hoje, Pacheco afirmou que pretende viabilizar a aprovação do Orçamento de 2021 até março. Já Lira sinalizou a intenção de votar o texto na Câmara em fevereiro. As declarações dos dois vêm agradando as mesas de operação e o Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, termômetro do risco-país, caiu de 167 pontos ontem para 158 pontos na tarde de hoje, no menor nível desde 13 de janeiro.

 

Para os estrategistas em Nova York do Citigroup, Lira e Pacheco ganharam por ampla margem e devem ajudar no curto prazo a melhorar a coordenação do governo com os parlamentares, o que viabilizaria a aprovação de reformas, além de reduzir o clima de instabilidade e ruídos que pairava em Brasília.

Nesta terça, o real teve o melhor desempenho hoje ante o dólar no mercado internacional, considerando 34 moedas mais líquida. Com isso, a moeda brasileira, que havia sido penalizada nos últimos dias pela piora do risco fiscal, hoje recuperou parte das perdas. Operadores relataram ainda a entrada de fluxo externo, o que também ajudou a retirar pressão do câmbio, além do exterior mais favorável, por conta das notícias positivas sobre vacinas contra a covid-19 e perspectiva de aprovação de novo pacote fiscal nos Estados Unidos.

Apesar da melhora hoje, o real ainda está muito distorcido na comparação com seus pares. Nos últimos 12 meses até o final de janeiro, o dólar sobe perto de 30% ante o real, na comparação com altas ao redor de 6% a 7% perante divisas como o rand da África do Sul e o peso mexicano. O mercado de câmbio brasileiro, destaca o estrategista da Infinity, tem sido um dos mais sensíveis à piora do risco fiscal. Assim, com a atenuação do temor fiscal, o real tende a se alinhar mais a seus pares.

Operadores de câmbio comentam que investidores reduziram apostas contra o real hoje no mercado futuro. Nos últimos dias úteis houve forte ajustes nas posições, por causa das rolagens do contrato de fevereiro para março, que passou a ser o mais líquido. Fundos nacionais aumentaram desde o dia 28 de janeiro suas posições vendidas em dólar futuro, que ganham com a valorização do real, em 123 mil contratos, o equivalente a US$ 6,2 bilhões. Hoje, a moeda para março fechou com queda de 1,20%, a US$ 5,3705.

Bolsa

Em dia no qual o noticiário corporativo mitigou o entusiasmo em torno da eleição de aliados do Planalto às presidências da Câmara e do Senado, as perdas de Vale ON, de 3,96%, segunda maior queda da sessão e de bancos, com Itaú PN em baixa de 2,13% após divulgar o resultado para o quarto trimestre, contribuíram para limitar os ganhos do Ibovespa, após o índice da Bolsa ter recuperado quase 2 mil pontos em 12 minutos, logo na abertura desta terça-feira, que o recolocava acima dos 119 mil, um nível de fechamento não visto desde 20 de janeiro.

Apesar da perda de força, o índice emenda a segunda alta após a realização da última sexta-feira, quando cedeu 3,21%. No ano, limita

as perdas a 0,66%, com avanço de 2,75% nestas duas primeiras sessões de fevereiro. "A valorização do mercado brasileiro só não foi maior por conta dos bancos, em especial o Itaú, após resultado em linha com o esperado. Além disso, temos a manutenção do movimento de queda das siderúrgicas/mineradoras, com mais um pregão de baixa para o minério de ferro devido a preocupações em relação à produção das siderúrgicas chinesas e ao aumento do custo de frete", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Por outro lado, o desempenho positivo das cotações do petróleo e a percepção pelo mercado de que o plano de venda de ativos da Petrobrás está em curso, com o início da negociação de algumas refinarias, explicam a alta de 4,10% para Petrobrás PN e de 3,45% na ON, acrescenta João Paulo Teixeira Cardoso Cardoso, da Unnião Investimentos. "O mercado reage bem aos sinais de que o plano está sendo cumprido", diz.

Na ponta do Ibovespa nesta terça-feira, destaque para B2W, em alta de 6,87%, Totvs, de 6,77% e Embraer, de 6,72%. No lado oposto, Bradespar cedeu 5,71%, à frente de CSN, com queda de 3,44%. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.