Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bolsa sobe aos 129,6 mil pontos e quebra 4º recorde consecutivo de fechamento

Andamento da vacinação em São Paulo e os sinais de retomada da economia do País apoiaram também o real, com o dólar em queda de 1,2%, cotado a R$ 5,08

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2021 | 14h54
Atualizado 02 de junho de 2021 | 18h41

Batendo recorde de fechamento pela quarta vez consecutiva, a Bolsa brasileira (B3) encerrou o pregão desta quarta-feira, 2, em alta de 1,04%, aos 129.601,44 pontos - na máxima da sessão -, apoiada no andamento da vacinação do País e nos sinais de retomada da economia brasileira. No câmbio, o real também foi favorecido pelo cenário e o dólar recuou 1,20%, a R$ 5,0841, no menor nível desde 18 de dezembro do ano passado.

Este foi o sexto ganho consecutivo para o Ibovespa, igualando sequência do intervalo entre 3 e 10 de novembro, que havia sido a mais longa desde a virada de maio para junho de 2020, quando ocorreram sete altas entre os dias 29 de maio e 8 de junho. Reforçado pelo segundo dia, o giro financeiro chegou hoje a R$ 46,4 bilhões. Na semana, o índice avança 3,22%, elevando os ganhos do ano a 8,89% - e acumulando 2,68% apenas nestas duas primiras sessões de junho, mesmo com o feriado de Corpus Christi na próxima quinta-feira, 3, que vai fechar a Bolsa. Ela reabre na sexta-feira, 4.

"O ano de 2021 está melhor do que 2020, não há duvidas, mas a comemoração tem que ser muito comedida. O Brasil segue com crescimento por fatores alheios aos seus próprios esforços - portanto, a volatilidade segue em jogo", diz a economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, destacando que a sensação de recuperação econômica tirou pressão dos ativos brasileiros, particularmente depois do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que apontou para crescimento de 1,2%.

"O PIB, em conjunto com a virada nas contas públicas, de déficit para superávit primário, causou um entusiasmo, talvez exagerado porque estamos vindo de uma base de crescimento muito ruim mesmo quando comparada a outros emergentes", diz Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora.

Já o sócio da Mauá Capital, Luiz Fernando Figueiredo, ressalta que no começo de 2021, havia pessimismo forte com o cenário fiscal e a projeção era que a dívida bruta em relação PIB poderia superar os 100%. As projeções de crescimento do PIB deste ano eram na casa dos 3% ou menos - agora, já batem em 5,5%. "Nossa maior fragilidade é fiscal e muito do desempenho horrível dos nossos ativos com relação ao resto do mundo tem relação com a questão fiscal", afirma, destacando que agora já se fala em dívida/PIB na casa dos 85% ou menos este ano.

Também entre os fatores que ajudaram no bom desempenho do mercado brasileiro, está a promessa do governador de São Paulo, João Doria, de que toda a população adulta do Estado será vacinada até o fim de outubro

No entanto, alguma cautela fica no radar. Segundo o IBGE, a produção industrial caiu 1,3% em abril, a terceira queda consecutiva, acumulando perda de 4,4% no intervalo de três meses. "Estes dados vêm se contrapor aos do PIB do primeiro trimestre, divulgados ontem, e apontam que a recuperação econômica ainda é incipiente, de certa forma", avalia em nota o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito.

Entre os ativos, o minério de ferro voltou a ser negociado acima de US$ 200 por tonelada na China, em leve alta de 0,25%, a US$ 209,19. O resultado fez com que as ações da Vale fechassem em alta de 1,41%, cotadas a R$ 114,80. "A gente ainda vê espaço para as commodities continuarem acima da média histórica - e o temor de inflação no mundo inteiro, inclusive, é positivo para as commodities, a correlação entre inflação e alta de commodities, historicamente, é bastante positiva", diz Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos

O dia também foi positivo para Petrobrás, com ON e PN em altas de 4,85% e 2,78% cada, principalmente após os contratos de petróleo alcançarem os maiores valores desde maio de 2019 no exterior. Embalados pelos sinais de recuperação da economia, os papéis do setor bancário também subiram. Bradesco avançou 3,92%, enquanto Itaú PN, Banco do Brasil ON e Bradesco subiram 3,33%, 3,47% e 2,75%, respectivamente.

Câmbio

Além dos sinais de recuperação, as notícias de novas captações no exterior deram força ao real. Hoje, Petrobrás e PetroRio, além da CSN, anunciaram emissão externa de até US$ 1 bilhão, estimulando um movimento de venda do dólar, na medida em que reafirmam o interesse de estrangeiros no País, com a visão de melhora fiscal e da atividade econômica. A demanda pelos papéis da Petrobrás superou US$ 9 bilhões, segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast.

Neste ambiente de mais apetite aos riscos no Brasil, o desmonte de posições contra o real, contratos que ganham com a alta do dólar, segue forte e apenas ontem, fundos e investidores estrangeiros cortaram suas apostas em US$ 3 bilhões no mercado futuro da B3. Hoje, o dólar para julho cedeu 1,46%, a R$ 5,0875. Na mínima de hoje, a moeda bateu em R$ 5,06.

Estrategistas do Citigroup em Nova York avaliam que o real ainda tem espaço para valorização e pode ter desempenho melhor que seus pares na América Latina. O banco americano montou estratégia em que está comprado no real ante o dólar, ou seja, apostando na valorização da moeda brasileira. Na região, está vendido em peso do Chile. "Em última análise, este ambiente continua propício para ter alguma exposição a risco no Brasil", afirmam nesta quarta-feira. "Continuamos a esperar bom desempenho do real."/ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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