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Bolsa fecha com leve queda de 0,25% em dia de realização de lucros; dólar fica a R$ 5,35

Mercado ainda acompanhou com certa preocupação o cenário fiscal do País e cautela fez a B3 se descolar dos ganhos vistos no exterior

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 09h06
Atualizado 02 de setembro de 2020 | 18h40

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, ficou imune aos ganhos vistos no exterior e encerrou com leve queda de 0,25%, aos 100.911,13 pontos nesta quarta-feira, 2, com os investidores ainda preocupados com o cenário fiscal do País. O dólar, no entanto, manteve o mesmo ritmo de queda da sessão anterior, ainda que em menor ritmo, e fechou o dia com queda de 0,51%, a R$ 5,3575.

O clima nas mesas teve algum otimismo em relação ao andamento das reformas, sobretudo com a administrativa, que deve ser entregue na quinta-feira, 3, pelo governo. Além disso, o mercado também viu com bons olhos aprovação da lei do gás na última terça-feira, 1, na Câmara dos Deputados. Nesta quarta, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse que com a medida, haverá investimentos e maior interesse da indústria por consumo.

 

"Há muita expectativa para o que de fato virá nesta proposta de reforma administrativa, já aparecem sinais de que o funcionalismo deseja conversar com o governo. Sabemos que, assim como o teto de gastos, as reformas são essenciais à estabilidade fiscal, e a preocupação com este aspecto tem mantido o mercado doméstico sem correlação com Nova York, que tem avançado especialmente sob o impulso das ações de tecnologia", observa a analista Sandra Peres, da plataforma digital TradeMap.

A agênda econômica mais esvaziada desta quarta também pesou no índice, que saiu do patamar dos 102 mil pontos do fechamento da última terça-feira, 1, para bater nos 100.871,79, uma queda de 1,27%, no pregão de hoje. Com os resultados da sessão, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, acumula perda de 0,23% na semana e cede 11,88% no ano.

Nesta quarta, algumas das ações que registraram as maiores altas no pregão de ontem, encerraram em queda, com os investidores realizando lucros. Vale On teve perda de 0,71%, Gerdau Metalúrgica cedeu 1,53% e Gerdau Pn recuou 1,05%. Ajustes menores foram observados em Petrobrás Pn e On, com quedas modestas de 0,31% e 0,26% cada, em dia negativo também para o petróleo. O  WTI para outubro fechou em queda de 2,92%, a US$ 41,51 o barril, enquanto o Brent para novembro teve baixa de 2,52%, a US$ 44,43 o barril.

Câmbio

O real foi na contramão de outras moedas emergentes e operou valorizada ante o dólar na tarde de hoje, após uma manhã volátil. A divisa dos Estados Unidos teve dia de valorização praticamente generalizada no mercado internacional. No mercado doméstico, porém, fechou em queda, em meio às expectativas de avanço das reforma e as reiteradas promessas de disciplina fiscal pelo governo.

O sócio fundador da Polo Capital, Claudio Andrade, observa que a situação fiscal brasileira ficou muito agravada, mas tem havido consenso da necessidade de avançar com reformas. "Algum tipo de reforma tributária a gente vai ter que ter", disse em live hoje da Genial Investimentos, ressaltando que a tramitação do texto junto com a reforma administrativa pode ajudar a dividir o "barulho" que as medidas propostas terão no Congresso, com vários grupos tentando definir seus interesses.

A expectativa de avance a agenda de reformas do governo também fez com que o risco Brasil a caísse abaixo de 200 pontos pela primeira vez desde 10 de março. Ainda hoje, o dólar para outubro fechou com queda de 1,07%, a R$ 5,3460.

Bolsas do exterior

Alguns dos maiores ganhos desta quarta foram registrados em Nova York: o Dow Jones teve alta de 1,59%, o S&P 500 avançou 1,53% e o Nasdaq subiu 0,98% - com os dois últimos índices voltando a bater recordes de fechamento. Por lá, nem mesmo o conteúdo divulgado no Livro Bege do Federal Reserve (Fed, o BC americano), que apontou para uma desaceleração do crescimento do emprego em cidades dos EUA, conseguiu segurar os ganhos.

No mercado europeu, as perdas do dia anterior foram recuperadas hoje, em sintonia com a melhora de Nova York - por lá, o Stoxx 600 encerrou com alta de 1,66%. As Bolsas do velho continente também fecharam o dia com ganhos consistentes: Frankfurt subiu 2,07%, Londres teve ganho de 1,35% e Paris avançou 1,90%. Já Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 1,34%, 0,57% e 0,52% cada.

Já na Ásia, assim como no Brasil, os índices tiveram um dia de correção, após os ganhos do pregão anterior. O chinês Xangai Composto recuou 0,17% e o Shenzhen Composto subiu 0,46% hoje, enquanto o Nikkei subiu 0,47% em Tóquio, o sul-coreano Kospi se valorizou 0,63%, o Hang Seng caiu 0,26% em Hong Kong e o Taiex registrou baixa marginal de 0,03% em Taiwan. Já a Bolsa australiana avançou 1,84% em Sydney./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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