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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Bolsa fecha com queda de 1,5% após notícia de contágio de Trump; dólar fica a R$ 5,67

Infectado, presidente ficará em quarentena em plena campanha eleitoral para a reeleição; por aqui, investidor segue preocupado com o Renda Cidadã

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2020 | 09h20
Atualizado 02 de outubro de 2020 | 18h20

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou em forte queda de 1,53%, aos 94.015,98 pontos nesta sexta-feira, 2, em sintonia com o sinal negativo vindo de Nova York. Se, nos EUA, as preocupações foram pela falta de estímulos fiscais e a contaminação por covid-19 de Trump, por aqui, investidores seguem temerosos sobre como o governo vai financiar um novo programa de auxílio em 2021. No câmbio, o dólar operou com relativa estabilidade e encerrou com leve alta de 0,29%, a R$ 5,6704.

O clima do mercado azedou assim que a Casa Branca confirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump e primeira-dama Melania Trump, testaram positivo para o coronavírus. No grupo de risco, o republicano fica em quarentena em plena campanha eleitoral pela reeleição. Seu adversário, Joe Biden, testou negativo - ele participou de um debate com Trump na última terça-feira, 29.

Ajudou a aumentar ainda mais o imapasse nos mercados - tanto aqui quanto em Nova York -, a carta da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a congressistas democratas, na qual citou "divergências significativas" nas discussões com o governo por uma nova rodada de estímulos fiscais. "Nossas negociações com o governo continuam e estou esperançosa de que podemos chegar a um acordo", escreveu.

Em resposta, os índices de Nova York fecharam com perdas expressivas. O Dow Jones caiu 0,48%, enquanto o Nasdaq perdeu 2,22% e o S&P 500 recuou 0,96%. 

No Brasil, segue de pé o propósito do governo de levar adiante o Renda Cidadã da forma que vier a se mostrar possível, o que mantém em cima da mesa o receio do mercado quanto à preservação do teto de gastos, após o mal-estar do início da semana com a referência a precatórios e Fundeb como fontes de financiamento. A combinação de tantos fatores negativos nesta última sessão da semana resultou em elevação do dólar, inclinação dos juros e perdas para o Ibovespa, ainda que relativamente moderadas.

A cizânia entre os ministros Paulo Guedes (Economia) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) reapareceu perto do fechamento. "Se Marinho falou mal, é despreparado e fura-teto", disse Guedes, após relatos de que o colega de ministério teria feito críticas à equipe econômica em teleconferência com agentes de mercado, na qual teria indicado que o Renda Cidadã será lançado, de um jeito ou de outro. Nesta semana, Guedes também voltou a entrar em choque com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Apesar do clima azedo, quando as novas declarações de Guedes vieram a público, as perdas do Ibovespa já estavam na casa de 1,4%.

Em dia de queda aguda do petróleo (WTI para novembro perdeu 4,31%, a US$ 37,05 o barril, enquanto o Brent para o dezembro perdeu 4,06%, a US$ 39,27 o barril), as ações On e Pn da Petrobrás caíram 3,86% e 4,18% cada. O destaque ficou para o setor bancário, com as altas de 1,79% na Unit do Santander e de 0,82% de Bradesco Pn. No lado oposto do índice, Azul cedeu hoje 5,56%, seguida por CVC, com 5,28% e Magazine Luiza, com 4,19%.

Na semana, o Ibovespa acumulou perda de 3,08% e, nestes dois primeiros dias de outubro, de 0,62% - no ano, o índice cede 18,70%

Câmbio

O dólar terminou a sexta-feira em alta, acumulando valorização de 2,07% nos últimos cinco dias, a quarta semana seguida de ganhos, subindo 41,3% no ano. Hoje a moeda chegou a encostar em R$ 5,69 com pressão vinda do exterior, após o aumento da incerteza nas eleições americanas com Donald Trump confirmando estar infectado com o coronavírus. No Brasil, persistentes dúvidas sobre o financiamento do novo programa social do governo seguem pressionando o câmbio, hoje com a troca de farpas entre os ministros Marinho e Guedes.

"O teto da dívida continua sendo um problema permanente", destaca a analista de moedas do banco alemão Commerzbank, Alexandra Bechtel. Ela ressalta que após a repercussão negativa de como financiar o novo programa social de Jair Bolsonaro, o governo voltou atrás sobre o uso de precatórios, mas não deu novos detalhes do que pretende fazer. Nesse cenário, será difícil o real se apreciar, mesmo se o ambiente for de procura por risco, ressalta ela.

O Bradesco também observa em relatório hoje que os riscos fiscais voltaram ao centro das atenções e prevê volatilidade nos ativos. "Diante da perspectiva de endividamento que se aproximará de 100% do PIB ao final do ano, o equacionamento de uma pauta de corte de gastos com a formatação do novo programa social ainda permanecerá no centro do debate, potencialmente trazendo volatilidade aos mercados", destaca o banco nesta sexta-feira./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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