Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Bolsa fecha em leve alta e dólar vai a R$ 5,24 com dia instável em Nova York

Preocupações com o cenário fiscal do País e alertas em relação ao andamento da dívida seguraram os ganhos dos ativos locais nesta quarta-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2020 | 09h14
Atualizado 02 de dezembro de 2020 | 18h59

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que chegou a tocar nos 112 mil pontos mais cedo, arrefeceu o ritmo e fechou com alta comedida de 0,43%, aos 111.878,53 pontos nesta quarta-feira, 2, em um dia no qual o mercado acionário de Nova York também teve desempenho fraco. No câmbio, o dólar fechou em alta de 0,27%, a R$ 5,2418. Hoje, as preocupações com o cenário fiscal do País e alertas em relação ao andamento da dívida seguraram os ganhos dos ativos locais.

Para Ariane Benedito, economista da CM Capital, o Ibovespa mostra lateralização. Ela lembra que, em fevereiro passado, um pouco antes da derrocada dos ativos no mercado financeiro, chegou a bater os 112 mil pontos, chegando à máxima dos 116 mil pontos. "Já estamos em recuperação. Isso dá sinal de que a Bolsa tem força, vai superando a crise, mas segue reagindo a cenários internos", diz. Na sua avaliação, hoje, embora tenha mostrado ímpeto mais cedo, as questões fiscais que não têm definição ainda seguem no radar e têm potencial de mexer com os ativos. No ano, o índice ainda "deve" 3,26%.

Sobre o tema, nesta quarta, a S&P Global Ratings reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 3,5% para 3,2% e alertou que, com a relação dívida bruta/PIB acima de 90%, estender o auxílio emergencial será muito negativo para os ativos brasileiros. Por outro lado, afirma que a economia do País foi melhor do que anteciparam, mas que a retirada de auxílio vai pesar.

Já o Tribunal de Contas da União (TCU) votou para que créditos extraordinários contra covid-19 possam ser executados até 31 de dezembro do ano que vem. O ministro Bruno Dantas afirmou que as ações de combate à covid e a consequente crise econômica serão necessárias até o fim de 2021. O plenário do TCU aprovou propostas para execução de gastos de 2020 até 31 de dezembro de 2021.

Para Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de renda variável e derivativos do BTG Pactual digital, existe um sentimento geral de que há um alinhamento forte do governo para respeitar o teto dos gastos. "O mercado ainda está dando que o quadro fiscal no ano que vem pode ser encaminhado".

Zanlorenzi ressalta que o mercado segue "comprador", mas que a volatilidade vista hoje no mercado internacional não ajudou a bolsa brasileira. Em Nova York, os índices fecharam sem sentido único, após um dia de muita instabilidade. Dow Jones subiu 0,20% e S&P 500, 0,18%, mas o Nasdaq teve leve queda de 0,05%. Nesta quarta, o S&P 500 voltou a bater recorde de fechamento.

As ações de peso do setor financeiro seguiram a trajetória de recuperação ajudando a sustentar o índice. Bradesco PN fechou com ganho de 1,09%, Itaú Unibanco PN, de 0,77%, Banco do Brasil ON, 0,43% e as units do Santander, 0,69%. Por outro lado, Vale ON puxou para baixo encerrando com desvalorização de 1,74%, após a mineradora reduzir a estimativa de produção de minério de ferro em 2020

Câmbio

O dólar voltou a subir hoje, com o real acompanhando de perto o desempenho de outras moedas de países emergentes, como o peso mexicano e o rand da África do Sul. Com o noticiário doméstico mais esvaziado nesta quarta-feira, o câmbio foi influenciado pelo exterior, onde o dia foi de ajustes, após os ganhos fortes ontem das Bolsas e do dólar ter caído aos menores valores no mercado internacional em dois anos e meio. Nos últimos 30 dias, ajudado pelo forte fluxo de recursos externo ao Brasil, a moeda ainda acumula queda de 8,5%. O dólar para janeiro fechou em alta de 0,21%, a R$ 5,2195.

A consultoria inglesa Capital Economics acredita que o fluxo para emergentes deve seguir forte em dezembro, com alguns países começando o processo de vacinação contra o coronavírus já nos próximos dias, o que deve realimentar o apetite por risco. Hoje o Reino Unido foi o primeiro país do mundo a autorizar o medicamento da Pfizer com a BioNTech.

Apesar da expectativa de fluxo, a Capital Economics não espera que o real tenha valorização expressiva pela frente e segue prevendo o dólar acima de R$ 5,00 em 2021, por conta do risco fiscal. "No Brasil, o aumento na dívida este ano ajudou a exacerbar preocupações sobre a sustentabilidade fiscal, assim como na África do Sul", avalia o economista-chefe para mercados emergentes da consultoria, William Jackson.

Na mínima desta quarta, o dólar caiu a R$ 5,20, em meio à mais entrada de fluxo externo, mas profissionais das mesas de câmbio não veem o dólar rompendo este o patamar, de forma consistente, sem notícias fiscais positivas. Em dia de ajuste, o Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, termômetro do risco-país, operou em leve alta hoje, a 157 pontos, após ter caído ontem a 156 pontos, no menor nível desde o início de março, de acordo com cotações da IHS Markit./ SIMONE CAVALCANTI, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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