Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bolsa sobe 1,3% e dólar tem alta em dia de fim das férias do Congresso

Com abertura do ano legislativo, expectativa é que vitória de candidatos governistas destrave a pauta econômica do País; chance de estímulos econômicos nos EUA também foi monitorada

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2021 | 09h15
Atualizado 03 de fevereiro de 2021 | 18h57

Apesar de não ter conseguido manter os 120 mil pontos, a Bolsa brasileira, a B3, fechou em alta de 1,26%, aos 119.724,72 pontos, ainda embalada pela vitória de candidatos governistas no Congresso, que retomou os trabalhos hoje, com o término do recesso de fim de ano. No exterior, o negociação por mais estímulos econômicos nos Estados Unidos também ficou no radar. No câmbio, o dólar fechou em alta de 0,29%, a R$ 5,3702, após a forte queda da sessão anterior.

Em dia volátil, de ganhos tímidos ao final em Nova York, o Ibovespa, a exemplo de ontem, refletiu o otimismo em torno da retomada de "agenda liberal" no Congresso. A prioridade indicada pelo Planalto à definição do Orçamento para 2021, bem como ao prosseguimento da tramitação das reformas e da privatização da Eletrobrás na agenda encaminhada ao Congresso, e a reafirmação do compromisso dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), com extensão de auxílios dentro do teto de gastos, deram o tom positivo para os negócios.

"O presidente Bolsonaro pediu aos novos presidentes do Legislativo prioridade para 35 proposições que já tramitam no Congresso, como reformulações de marcos setoriais, a autonomia do Banco Central, as reformas administrativa e tributária e as três Propostas de Emenda à Constituição (PECs) da chamada 'Agenda Mais Brasil': Emergencial, Pacto Federativo e Fundos", enumera Betina Roxo, estrategista-chefe da Rico Investimentos.

Para Fernando Siqueira, gestor da Infinity Asset, uma combinação de fatores positivos ampara a recuperação observada no Ibovespa neste começo de mês. "A greve dos caminhoneiros não se materializou; os dados da economia americana mostram força, como a geração de vagas de trabalho no setor privado em janeiro, acima do esperado; o bom desempenho de commodities como o petróleo; nova flexibilização de restrições em São Paulo; e, em Brasília, o alinhamento que se espera entre Executivo e Legislativo, o que faz lembrar o início do governo em janeiro de 2019, quando também havia grande expectativa", aponta o gestor.

O ânimo renovado no Brasil é fundamental em momento no qual os estrangeiros podem mostrar hesitação, em meio a dúvidas sobre a dimensão do pacote fiscal que será aprovado nos EUA. Hoje, o presidente Joe Biden indicou que está disposto a limitar a elegibilidade dos que receberão cheques do governo, enquanto republicanos buscam desidratar o pacote de estímulos à casa dos US$ 600 bilhões, bem abaixo do US$ 1,9 trilhão originalmente proposto pelos democratas.

Em resposta, Nova York fechou mista: Dow Jones e o S&P 500 tiveram altas de 0,12% e 0,10%, enquanto o Nasdaq caiu 0,02%. "Grande parte da economia dos EUA está em base sólida e, por isso, o acordo final ficará mais perto de US$ 1 trilhão", observa em nota Edward Moya, analista da OANDA em Nova York.

Após queda de 4,63% no preço do minério de ferro ontem na China, a recuperação parcial da cotação hoje (alta de 1,90%) e a perspectiva de acordo entre a Vale e o governo de Minas Gerais, os papéis da mineradora subiram 3,16%. Os investidores se mantêm atentos à possibilidade de acordo entre as partes que encerre ação judicial sobre o rompimento da barragem em Brumadinho, ocorrido em janeiro de 2019.

Assim, Bradespar, principal acionista da mineradora, chegou a acentuar ganhos nesta sessão, mas ao fim os limitou a 2,19%. Destaque também nesta quarta para alta de 7,73% do BTG, de 6,22% para Braskem e de 5,63% para Multiplan, enquanto,

na face oposta do Ibovespa, Totvs cedeu 2,31%, CVC, 2,25%, e BR Distribuidora, 1,50%. No ano, o índice passa a acumular leve ganho de 0,59%, com avanço de 4,05% nesta primeira semana de fevereiro.

Câmbio

O dólar teve novo dia de volatilidade. Caiu pela manhã para a mínima de R$ 5,32 e firmou alta nos negócios da tarde, batendo em R$ 5,38. O foco no mercado doméstico seguiu no Congresso e o cenário para as reformas a partir de agora, com os novos presidentes  dando início ao ano legislativo. Pela tarde, o cenário externo teve peso importante e o real acabou seguindo ao longo do pregão pares como os pesos da Colômbia, México e Chile, que perderam força ante o dólar em meio a dúvidas sobre o tamanho do pacote fiscal que Biden conseguirá aprovar. O dólar para março, no entanto, teve queda de 0,38%, a R$ 5,3500.

O Instituto Internacional de Finanças (IIF) calcula que o preço justo da moeda brasileira é de R$ 4,50, levando em conta os fundamentos. O Bank of America (BofA) calcula em R$ 4,80. Em análise a clientes hoje, o banco afirma estar otimista com as perspectivas para o real. "O risco de mais estímulos fiscais ainda permanece, embora esperamos que o Congresso e o governo trabalhem juntos para evitar o rompimento do teto de gastos", comentam os estrategistas de câmbio do BofA Gabriel Tenorio e Claudio Irigoyen. O BofA também está otimista para as reformas, mas alerta que a janela para aprovação é relativamente curta, considerando as eleições em 2022.

Para os analistas da consultoria internacional TS Lombard, Elizabeth Johnson e Wilson Ferrarezi, o real tende a se beneficiar da elevação dos juros pelo BC. Eles acreditam que o aumento virá na reunião de março, em 0,50 ponto porcentual. A redução do diferencial de juros do Brasil com o resto do mundo deve ajudar a reduzir a volatilidade no câmbio. Além disso, o avanço das reformas deve ajudar a moeda brasileira a ganhar força, ficando mais alinhada a seus pares.

Nesse ambiente, o Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, uma medida do risco-país, teve nova queda hoje, para 153,82 pontos, de 157,88 do fechamento ontem, de acordo com cotações da IHS Markit. Com isso, atingiu o menor nível desde 7 de janeiro./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, MATEUS FAGUNDES, FELIPE LAURENCE, FABIANA HOLTZ E MAIARA SANTIAGO

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