Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Dólar cai 0,24% e Bolsa sobe 0,3% com mercado à espera da decisão do BC sobre a Selic

Investidores já projetam uma alta de 0,75% da Selic na quarta-feira, movimento que pode ajudar o real a recuperar as perdas ante o dólar

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2021 | 14h40

Em um dia sem grandes acontecimentos, mas com os investidores à espera da decisão do Copom sobre a política monetária do País, que será anunciada na quarta-feira, os ativos locais terminaram no azul, mas com pouco fôlego. Nesta segunda-feira, 3, o dólar fechou em queda de 0,24%, a R$ 5,4188, apesar de ter caído a R$ 5,37 na mínima do dia. Já a Bolsa brasileira (B3) encerrou em alta de 0,27%, a 119.209,48 pontos, em um pregão extremamente volátil.

Indicadores fracos da economia americana ajudaram a tirar o fôlego da moeda. O índice de gerentes de compras (PMI) da indústria americana caiu de 64,7 em março para 60,7 em abril. De olho no desempenho fraco, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, ressaltou hoje que a economia dos EUA passa por um lento processo de recuperação, reafirmando ainda que as medidas pró-estímulos não serão retiradas antes das metas para o desemprego e inflação terem sido cumpridas.

O cenário local também colaborou para a valorização do real, principalmente com os investidores já precificando uma alta da Selic pelo Banco Central na próxima quarta-feira, 5. A reunião do Copom, que começa amanhã, já será monitorada pelos operadores de câmbio. Ainda assim, o dólar para junho fechou em alta de 0,10%, a R$ 5,4565.

Segundo os estrategistas do Citi em Nova York, Alvaro Mollica e Dirk Willer, em relatório a investidores, a aprovação do Orçamento de 2021 levou a uma redução do forte pessimismo com o Brasil entre investidores e o real ganhou força. Agora, a moeda brasileira pode corrigir parte da distorção em relação a outras moedas emergentes, ou mesmo anular este comportamento pior, por meio da política monetária.

Os estrategistas do Citi comentam que, em conversas com investidores, a visão é que o Banco Central deve manter no comunicado da reunião a expressão adotada em março, de "ajuste parcial", mas ao mesmo tempo pode sinalizar nova alta de 0,75 ponto na Selic em junho, levando a taxa a 3,50% ao ano, o que tende a ajudar o real. "Em relação a moedas de emergentes, acreditamos que grande parte do caminho de desempenho pior do real pode ter ficado para trás."

O JP Morgan espera que a expressão "ajuste parcial" seja retirada pelo BC do comunicado, com sinalização de nova elevação de 0,50 ponto em junho. Mas o banco americano não descarta que o Copom aponte mais uma alta de 0,75 pontos.

Além do Copom, a sinalização de que o governo está prestes a assinar a compra de mais 100 milhões de doses da Pfizer na sexta-feira, e o superávit comercial do Brasil, de US$ 10,3 bilhões no mês passado, contribuíram para retirar pressão do câmbio nesta segunda-feira, comentam profissionais das mesas. Ao mesmo tempo, a CPI da covid, que terá esta semana depoimento dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Eduardo Pazuello, ajuda a gerar certa cautela, ressalta um gestor.

Bolsa

Após uma sessão em que mostrou instabilidade entre os terrenos negativo e positivo, o Ibovespa ganhou fôlego no final da tarde e conseguiu defender o patamar dos 119 mil pontos. O movimento foi apoiado pela fala do presidente do Fed, que reafirmou a manutenção dos estímulos. Assim, o índice conseguiu sair da mínima dos 118 mil pontos, apoiado também pela alta do mercado de Nova York, onde Dow Jones e S&P 500 fecharam com ganhos de 0,70% e 0,27% cada.

Os ganhos acabaram sendo limitados por a cautela ainda dominar os ânimos dos investidores em relação aos problemas domésticos no governo. "Pesa o fato de que o ministro [da Economia] Paulo Guedes parece ter perdido muita força no governo após o [presidente] Jair Bolsonaro ter se aliado aos partidos de centro", ressaltou Luiz Roberto Monteiro, especialista em renda variável da Renascença, elencando também não ser vista como positiva a proposição de fatiar a reforma tributária apontada ontem pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira.

Entre as ações, Vale e Petrobrás voltaram a cair. Segundo Monteiro, muito embora com as companhias pares subindo forte no exterior, assim como os contratos futuros de petróleo em alta, as ações das duas empresas refletiam dúvidas sobre questões domésticas e corporativas. Hoje, os papéis da mineradora encerraram o dia em queda de 0,51%%, enquanto os da petroleira recuaram 0,39%. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

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