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E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

Dólar fecha a R$ 5,31 de olho em possível corte da Selic; Bolsa fica estável

Banco Central deve anunciar nesta quarta um novo corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros do País; sensação de realização de lucros fez B3 ter leve baixa de 0,08%

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2020 | 09h08
Atualizado 03 de agosto de 2020 | 18h27

Com um novo corte da Selic no horizonte, o dólar acelerou os ganhos e fechou com forte valorização de 1,86%, a R$ 5,3140, nesta segunda-feira, 3, após se manter por um bom tempo no patamar de R$ 5,20. Já a situação foi consideravelmente melhor na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que praticamente estável, com leve baixa de 0,08%, aos 102.829,96 pontos. No mercado brasileiro, pesou hoje a sensação de realização de lucros e a espera pela divulgação do balanço do Itaú.

A moeda americana teve dia de valorização no mercado internacional, ante moedas fortes e emergentes, contrastando com o otimismo visto nas Bolsas. A falta de acordo em Washington para um novo pacote fiscal de estímulo econômico e o aumento dos casos de coronavírus em várias partes do mundo ajudaram a valorizar a moeda americana, mesmo com bons indicadores da atividade na Europa, China, Estados Unidos e Brasil.

 

Para o operador e economista da Advanced Corretora, Alessandro Faganello, a perspectiva de mais um corte da taxa básica de juros pelo Banco Central ajudou a pressionar ainda mais o câmbio, em dia já marcado por maior cautela no mercado de moedas internacionais, por conta da dificuldade entre democratas e republicanos para chegar a um acordo sobre um novo pacote fiscal, o que ajuda a alimentar dúvidas sobre a velocidade de retomada da economia americana. 

Ainda sobre a Selic, os economistas do JPMorgan preveem corte de 0,25 ponto porcentual na taxa básica e depois uma pausa. Com isso, a taxa deve ficar em 2% ao menos até o final de 2021, mas o banco americano não descarta a possibilidade de mais um corte até o final de 2020. "Os riscos pendem levemente para um corte adicional até o final do ano", ressaltam.

O dólar para setembro terminou o dia com alta de 1,92%, a R$ 5,3300. Nas casas de câmbio, segundo levantamento do Estadão/Broadcast, o dólar turismo é cotado a R$ 5,40.

Bolsa

Após um início de sessão cauteloso, refletindo preocupações quanto à insistência do governo em adotar imposto semelhante à CPMF em troca de desonerações tributárias - ideia mal assimilada pelo mercado e pelo Congresso -, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, ensaiou se firmar em alta à tarde, em linha com o dia positivo no exterior, onde dados de atividade favoráveis na China, Europa e nos EUA sustentaram o apetite por risco desde cedo. 

Hoje, a Bolsa oscilou entre mínima de 102.304,26 e máxima de 103.863,33 pontos, com giro financeiro forte, a R$ 30,5 bilhões nesta primeira sessão de agosto, mês que se mostrou negativo nos dois últimos anos. Em 2020, o índice da B3 acumula agora perda de 11,08%.

Além disso, o mercado aguarda também a divulgação do balanço de Itaú, depois do fechamento, e, na quinta-feira, 6, antes da abertura, dos números trimestrais do Banco do Brasil. Nesta segunda, o setor ajudou a sustentar o índice no positivo e BB fechou com alta de 2,29%, enquanto Itaú ganhou 1,49%. No entanto, outros grandes bancos passavam a terreno negativo, com Bradesco PN em baixa de 1,07%, a ON, de 0,39%, e a unit do Santander, de 0,84%, no encerramento da sessão. 

Mercados internacionais

Os índices foram sustentados hoje pela avaliação de que a retomada da atividade econômica, sobretudo na indústria, deve beneficiar a demanda por commodities. O IHS Markit informou hoje que o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da zona do euro subiu de 47,4 em junho para 51,1 em julho. No Reino Unido, a alta foi a 53,3, enquanto nos EUA, o mesmo dado saltou a 50,9. A leitura do PMI acima de 50 sugere expansão da atividade.

Quase todos os índices fecharam no azul no mercado asiático, com exceção do Hang Seng em Hong Kongque teve baixa de 0,56% e do Taiex em Taiwanque cedeu 1,20%. As Bolsas chineses de Xangai e Shenzhen tiveram altas consistentes, de 1,75% e 2,60% cada, enquanto o japonês Nikkei subiu 2,24% e o sul-coreano índice Kospi avançou 0,07%.

O dia também foi favorável no velho continente, com o Stoxx 600 fechando em alta de 2,05%. Os primeiros sinais de retomada da economia animaram os investidores e a Bolsa de Londres saltou 2,29%, a de Paris teve ganho de 1,93% e a Frankfurt avançou 2,11%. Milão, Madri e Lisboa tiveram altas de 1,51%, 1,42% e 1,21% cada.

O mercado acionário de Nova York também subiu, principalmente após Trump anunciar que não se opõe a ideia de que a Microsoft compre o TikTok - a notícia fez as ações da gigante do setor fechar com alta de 5,62% e favoreceu também o Nasdaq, que teve ganho de 1,47%, além de fechar com um novo recorde. Já Dow Jones encerrou com alta de 0,89%, enquanto o S&P 500 subiu 0,72%.

Petróleo

Os primeiros sinais mais consistentes de uma possível retomada da economia ajudaram o petróleo, que tinha apenas ganhos comedidos - e seguidas quedas -, frente ao temor de que a demanda demorasse muito a voltar para os níveis pré-pandemia.

Em resposta, na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de petróleo tipo WTI com entrega para setembro, referência no mercado americano, encerrou em alta de 1,83%, a US$ 41,01. Já o Brent para outubro, referência no mercado europeu, avançou 1,44%, a US% 44,15 na Intercontinental Exchange (ICE)./ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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