Amanda Perobelli/Reuters
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Otimismo com eleição dos EUA faz Bolsa fechar em alta de 2,16%; dólar fica a R$ 5,76

Mercado vê com bons olhos uma eventual vitória de Joe Biden e a possibilidade do Senado americano passar a ter maioria democrata, o que permitiria a rápida aprovação de novos estímulos

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2020 | 09h08
Atualizado 03 de novembro de 2020 | 18h47

O bom humor tomou conta da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, em dia de eleição presidencial nos EUA nesta terça-feira, 3. Nesse cenário, o Ibovespa fechou em alta de 2,16%, aos 95.979,71 pontos, apoiado pelo bom desempenho dos índices do exterior, que já traçam um futuro promissor para o novo pacote de estímulos com uma vitória democrata. Já o dólar voltou a pressionar o real em um dia favorável para as moedas emergentes e acabou por terminar com alta de 0,42%, a R$ 5,7622.

"Os mercados reagiram positivamente ao Dia das Eleições, finalizado hoje, e saudaram positivamente o 'novo presidente americano', o que pode destravar a agenda de pacotes de estímulos nos EUA. Uma sinalização importante é que os eleitores democratas tendem a votar mais por correio", aponta em nota a Upside Investor Research. A consultoria política Eurasia avalia em 80% a chance de triunfo para Biden e, caso o democrata seja vitorioso na Flórida, Carolina do Norte ou Arizona, o resultado final pode ser conhecido ainda esta noite - uma rápida definição que seria muito bem-vinda para os investidores.

"Se Biden vencer ainda hoje, os mercados emergentes devem abrir bem amanhã. Por outro lado, quanto mais apertado for o resultado, especialmente em swing States [estados que alternam preferência], maior a chance de judicialização. O mercado pareceu colocar no preço hoje uma onda azul, com vitória de Biden acompanhada por maioria democrata no Senado e na Câmara.

Mas é preciso ter cautela", aponta Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

"Independente de quem vença, o pacote vai destravar, senão a economia apaga em momento no qual a Europa volta para a quarentena", acrescenta. "Por outro lado, para o Brasil, eventual vitória de Biden seria problemática especialmente em relação ao meio ambiente, com mais pressão internacional, coordenada a partir dos EUA, sobre a Amazônia", observa Jefferson Laatus,

estrategista-chefe do Grupo Laatus.

Apesar do receio, a eventual vitória democrata favoreceu os mercados pelo mundo. Na Ásia, as bolsas de Xangai Shenzhen fecharam com altas de 1,42% e 1,43% cada. Na EuropaLondresFrankfurt e Paris tiveram ganhos de 2,33%, 2,55% e 2,44% cada. Em Nova YorkDow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam com altas de 2,06%, 1,78% e 1,85% cada. No petróleo, com WTI Brent tiveram ganhos de 2,30% e 1,90% cada.

Por aqui, na máxima do dia, a B3 registrava ganho de 2,55%, aos 96.350,23 pontos, após sair dos 93 mil pontos na mínima. Vindo de sua pior semana desde março e tendo emendado em outubro o terceiro mês de perdas, o Ibovespa teve giro de R$ 31,8 bilhões na volta do feriado prolongado de Finados. Nesta terça-feira, os ganhos se distribuíram bem na B3. Entre as commodities, Petrobrás ON e PN subiram 3,95% e 3,75% cada, enquanto Vale ON saltou 4,61%. Entre os bancos, Bradesco e Itaú ganharam 3,42% e 2,43% cada. CSN, e Gerdau e Usiminas tiveram altas de 9,01%, 6,28% e 6,24% cada. 

Câmbio

No dia das eleições americanas, o dólar teve pregão volátil no Brasil, oscilando 11 centavos entre a máxima e a mínima. Pela manhã, caiu a R$ 5,65 em meio ao maior apetite por ativos de risco no mercado financeiro global, com a visão de que uma vitória de Biden hoje pode ser acompanhada de grande pacote de estímulo fiscal, que pode superar US$ 3 trilhões, o que deve enfraquecer o dólar mundialmente. Nesse ambiente, investidores estrangeiros passaram a ficar vendidos em dólar futuro na B3, ou seja, apostando na queda da moeda ante o real, ajudando a retirar pressão do câmbio.

Nos negócios da tarde, o clima de cautela prevaleceu antes do encerramento da votação e dos eventos dos próximos dias e dólar passou a ensaiar alta, com investidores recompondo posições, em meio à visão de que o dólar abaixo de R$ 5,70 está barato neste momento. No mercado futuro, o dólar para dezembro fechou com ganho de 0,20%, cotado em R$ 5,7620. O volume financeiro somava US$ 11,5 bilhões.

"Foi um dia de otimismo global, com esperança de estímulos nos Estados Unidos, reduzindo assim a pressão no dólar, que caiu bastante aqui e recuperou um pouco à tarde", ressalta o chefe da mesa de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem. "O mercado foi de pouca liquidez hoje."

As mesas de câmbio monitoram ainda a ata da reunião de política monetária do BC. Os analistas do JP Morgan vêm menor chance de corte de juros pela frente, apontando que o BC elevou o tom no documento sobre os riscos fiscais no Brasil e que os dirigentes alertaram para risco de instabilidade nos preços dos ativos caso haja mais cortes na Selic. / LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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