Reuters
Reuters

Dólar tem menor nível desde julho, mas problema em vacina da Pfizer segura os ganhos da Bolsa

Farmacêutica encontrou obstáculos em suprimentos e vai entregar apenas metade das doses deste ano; chance de novos estímulos nos EUA ajudaram no bom desempenho do dólar

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2020 | 09h34
Atualizado 03 de dezembro de 2020 | 20h45

A chance de mais estímulos nos Estados Unidos ajudaram a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, a fechar em alta de 0,37%, aos 112.291,59 pontos nesta quinta-feira, 3, após ter ultrapassado os 113 mil pontos mais cedo. O otimismo também levou o dólar a encerrar em baixa de 1,94%, a R$ 5,1401, pela primeira vez desde 31 de julho. No entanto, perto do final do pregão, a informação de que a Pfizer terá problemas na produção de sua vacina contra a covid-19 segurou os ganhos tanto do mercado brasileiro quanto do americano.

Segundo a farmacêutica americana, a meta de lançamentos do imunizante para este ano precisou ser reduzida pela metade, alegando obstáculos em suprimentos. No entanto, a meta de mais um bilhão de doses em 2021 ainda está mantida. Na última terça-feira, 2, o Reino Unido informou que autorizou o uso emergencial da vacina da Pfizer. Com a informação, Nova York fechou em alta comedida - Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq tiveram ganhos de 0,29%, 0,06% e 0,23%. Mesmo assim, o Nasdaq ainda conseguiu bater novo recorde de fechamento.

 

A alta de 7,7% do PIB brasileiro também deu certo ânimo para a Bolsa e apontou para uma recuperação, apesar do resultado vir abaixo da projeção de crescimento de 8,8% traçada pelos analistas durou pouco. "Hoje a Bolsa sobe por algo setorial, pois houve surpresas positivas e específicas dentro do PIB", diz Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos. "Mas o PIB em si reduziu marginalmente o otimismo de recuperação que o mercado já tinha colocado na conta", afirma.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, negou hoje qualquer frustração com o crescimento aquém das expectativas do PIB no terceiro trimestre. "O sinal mais importante é de que a economia está voltando. Não há frustração. A informação objetiva que sai disso dai é que Brasil está crescendo forte", afirmou o ministro durante participação em encontro promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Nesse cenário, foi a expectativa pelo pacote fiscal americano que provocou nova rodada de fluxo para os mercados emergentes, o que inclui também o Brasil. Além disso, a notícia de que a Organização de Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+) vai manter os cortes na produção do petróleo também ajudou. Em janeiro, os cortes serão de 7,2 milhões barris por dia (bpd), frente aos atuais 7,7 milhões de bpd. Com a notícia, Petrobrás ON e PN tiveram altas de 2,03% e 2,82% cada.

Na sessão de hoje ações ligadas à tese da reabertura da economia, avançaram, em meio à chance de vacinação já a partir de janeiro no Estado de São Paulo. Embraer ON figurou durante a etapa vespertina no topo das altas do Ibovespa para encerra o dia com ganhos de 11,05%, seguida pelas preferenciais de Gol, em alta de 8,79%. Os papéis ordinários de CVC subiram 7,55% e Azul PN, 4,34%.

Câmbio

O cenário externo positivo foi o principal fator a contribuir para a queda da moeda hoje, com os participantes do mercado mais otimistas com a possibilidade de aprovação de um pacote de estímulo fiscal em Washington. A moeda americana registrou mínimas em anos ante divisas como franco suíço, euro e dólar canadense e caiu de forma generalizada nos emergentes. A moeda brasileira foi a com melhor desempenho internacional hoje, considerando uma cesta de 34 divisas mais líquidas. Na mínima do dia, o dólar caiu a R$ 5,12. A moeda para janeiro fechou em baixa de 1,27%, a R$ 5,1530.

O sócio da Armor Capital, Alfredo Menezes, destaca que tem entrado fluxo no Brasil, com o País, que estava com preços mais descontados, acompanhando a onda que tem beneficiado os demais emergentes. Mas pelas conversas que ele tem tido com gestores, é basicamente um dinheiro de curto prazo. "Para entrar 'real money' é preciso das reformas andando", afirma ele, ressaltando que tem preocupado as quedas mensais no Investimento Externo Direto, que é de mais longo prazo, com fluxos caindo pela metade. Menezes nota ainda que fundos estão reduzindo apostas contra o real no mercado de derivativos, em montante que chega a US$ 8 bilhões.

"Outro dia, mais um dia de baixa em 2020 para o dólar", destaca o analista de mercados do banco Western Union, Joe Manimbo. Ele ressalta que a moeda americana testou as mínimas em dois anos e meio ante o euro, o dólar australiano, o dólar da Nova Zelândia e o canadense. Ante o franco suíço, caiu para as mínimas desde o começo de 2015. Nos emergentes, o peso mexicano foi as máximas perante o dólar desde março. A possibilidade de vacinação da população mundial antes que o mercado esperava e o renovado otimismo com o pacote fiscal americano alimentaram a busca por ativos de risco, ressalta ele./ SIMONE CAVALCANTI, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.