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Dólar tem alta de 1,5% com otimismo sobre economia americana; Bolsa cai 0,4%

Moeda fechou cotada a R$ 5,44, após indicador apontar para a queda inesperada nos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA; por aqui, Ibovespa realizou lucros

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2021 | 09h23
Atualizado 04 de fevereiro de 2021 | 18h55

O dólar acelerou o ritmo de alta nesta quinta-feira, 4, após indicadores mais fortes que o previsto da economia americana, como a inesperada queda nos pedidos de auxílio-desemprego, valorizarem a moeda, que fechou com ganho de 1,47%, a R$ 5,4493. Brasil. No mercado de ações, a Bolsa brasileira terminou o dia em queda de 0,39%, aos 119.260,82 pontos, descolada de Nova York.

Após os dados de hoje, crescem as expectativas para o relatório mensal de emprego da economia americana, o payroll, que será divulgado nesta sexta-feira, 5. Os analistas do TD Bank esperam forte criação de vagas, de 400 mil postos em janeiro, após contração de 140 mil postos em dezembro. Com dados fortes, a tendência no curto prazo será de dólar seguir em alta, comentam. 

Nesse cenário, mais uma vez, o real teve a pior performance ante as 34 divisas mais líquidas. Operadores relatam ainda certa cautela com o cenário político no curto e médio prazo, bem como um fluxo de saída do País. Do lado externo, o movimento foi disparado pelo enfraquecimento do euro ante o dólar, levando o índice DXY - que mede a força do dólar ante moedas fortes, como euro e libra - a a subir a 0,40%, maior nível em mais de dois meses. Por aqui, o dólar para março fechou com alta de 1,48%, a R$ 5,4290.

 

Além do fortalecimento do DXY, o gerente da tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, observou ainda que houve zeragem de posições na tarde de hoje, o que influenciou no fluxo de saída de moeda do Brasil. Outro profissional notou movimento semelhante, mas sem volume muito forte.

No lado interno, o mercado de câmbio também tem acompanhado o desenrolar das negociações sobre reformas no Congresso com relativa cautela após o otimismo da semana passada. Os presidentes da Câmara e do Senado, por exemplo, falaram em aprovar a reforma tributária no Congresso em seis a oito meses, mas ainda há não um consenso entre governos e o setor privado sobre o projeto. Além disso, dificuldades quanto ao foco das medidas, após o governo listar ao menos 30 prioridades aos parlamentares e, principalmente, a adesão do Centrão justificam essas apostas mais conservadoras.

"O governo mudou de postura, isso é fato, e mostra que pode abrir caminho para conseguir aprovar as reformas. Mas há dúvidas pela frente", pontuou o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni. "Isso sem falar que o real segue sendo a moeda mais volátil, neste cenário em que a taxa de juro ainda é negativa. Isso é muito problemático para o real", acrescentou.

Tanto Velloni quanto Weigt pontuam, contudo, que o prêmio de risco do real está muito alto. Assim, o primeiro aposta em uma queda da moeda ao nível de R$ 4,80 a R$ 5,00 no início do quarto trimestre, enquanto o segundo vê, no curto prazo, a divisa na faixa entre R$ 5,15 e R$ 5,70.

No quadro mais amplo, a indicação dada pelo presidente Jair Bolsonaro de que deve fazer amanhã um anúncio sobre combustíveis, possivelmente relacionado a tributos ou a frequência de reajustes, causou algum incômodo no mercado, sempre atento a ingerências políticas em questões econômicas que impactam as contas públicas e a formação dos preços - esta semana, evitou-se uma greve de caminhoneiros cuja pauta estava centrada no custo do diesel. A notícia também colaborou para a desvalorização do real.

Bolsa

O Ibovespa teve um dia de acomodação após emendar três altas que colocavam os ganhos neste princípio de mês a 4%, mais do que revertendo as perdas que haviam se acumulado em janeiro, de 3,32%. Em fevereiro, os ganhos estão agora em 3,64%, assegurando moderada alta de 0,20% no ano. Nas Bolsas de Nova York, no entanto, o clima foi de otimismo com o cenário econômico, fazendo Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq registrarem ganhos de 1,08%, 1,09% e 1,23% cada, com os dois últimos batendo recordes históricos de fechamento.

Na ponta do Ibovespa nesta quinta-feira, Bradesco ON e PN tiveram altas de 3,07% e 3,01% cada, refletindo a divulgação, na noite anterior, do balanço do banco privado, que teve o maior lucro líquido recorrente da história da instituição, no quarto trimestre de 2020. Destaque também para CVC, em alta de 3,02% na sessão. Por sua vez, Vale ON fechou o dia em queda de 1,26%, após o acordo de R$ 37,6 bilhões em reparações ao Estado de Minas pelos danos do rompimento da barragem em Brumadinho ter sido amplamente antecipado ontem pelo mercado. Petrobrás PN e ON mostravam leve perda de 0,10%.

"Com o dia positivo lá fora, era de se esperar que acompanharíamos aqui. Após rali bastante sólido no Ibovespa entre novembro e a primeira semana de janeiro, é natural que o mercado se questione sobre o curto prazo, que fique mais sensível, na margem, a cada novo desdobramento do noticiário", observa Guto Leite, gestor de renda variável da Western Asset./ MATEUS FAGUNDES, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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