Reuters
Reuters

coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Bolsa se descola de Nova York e fecha com alta de 0,5%; dólar fica a R$ 5,30

B3 conseguiu recuperar o fôlego no final do pregão e foi na contramão do mercado acionário dos EUA, que voltou a cair pressionado pelo sentimento de cautela dos investidores

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 09h14
Atualizado 04 de setembro de 2020 | 18h31

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, conseguiu inverter o sinal e fechar com leve alta de 0,52%, aos 101.241,73 pontos nesta sexta-feira, 4, apesar das perdas vistas no mercado acionário de Nova York, que fechou em queda pelo segundo dia consecutivo mesmo com a melhora do desemprego nos Estados Unidos entre julho e agosto. Esse sentimento de cautela visto no exterior também deu força ao dólar e a moeda avançou ante ao real, encerrando com alta de 0,21%, a R$ 5,3071.

Nesta sexta, o pregão de Nova York foi marcado pela oscilação dos índices, com os investidores ainda tensos com o ritmo de recuperação das economias globais e avessos ao risco. Por lá, não animou a criação de 1,4 milhão de empregos nos EUA em agosto também parece ajudar a conter as perdas - no país, a taxa de desemprego recuou de 10,2% em julho para 8,4% no mês passado. A declaração de Donald Trump de que haverá uma vacina contra a covid-19 "em breve", e que "boas notícias" estão próximas, também não fez muita diferença.

 

Com isso, os índices voltaram a fechar em queda, ainda que menor. O Dow Jones caiu 0,56%, S&P500 recuou 0,81% e o Nasdaq teve queda de 1,27%. Como não podia ser diferente, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, passou boa parte do pregão sob a influência dos índices americanos. Na mínima do dia, ele caía aos 98.960,50 pontos - pior nível intradia desde 17 de agosto. No final, no entanto, ele aproveitou para se descolar de Nova York e recuperar os 101 mil pontos, antes dos feriados na segunda-feira da Independência no Brasil e do Trabalho nos EUA, no qual ambos os mercados ficarão fechados.

"Entre o movimento de correção das bolsas americanas, em vista do aumento da volatilidade que inevitavelmente deve ser gerado por conta das eleições, e a melhora do quadro político doméstico com o avanço das reformas, o Ibovespa segue travado entre os 103 e 99 mil pontos. Somente o rompimento de um desses extremos para o mercado ganhar uma direção no curtíssimo prazo", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Nesta sexta-feira, as ações de grandes bancos, pelo segundo dia, e parte das de siderurgia e mineração, em recuperação, contribuíram para o sinal positivo do Ibovespa no encerramento do dia. Gerdau Pn subiu 2,79%, Vale On avançou 2,56% e a Unit do Santander teve ganho de 2,56%. Já Petrobrás Pn e On tiveram altas de 0,17% e 0,13% cada, resultado que veio descolado dos preços do petróleo no exterior - hoje, o WTI para outubro fechou em queda de 3,87%, a US$ 39,77 o barril e o Brent para novembro teve baixa 3,20%, a US$ 42,66 o barril.

Com os resultados de hoje, a Bolsa fechou com perda de 0,88% na semana, mas ainda tem ganho de 1,88% no mês. No ano, cede 12,45%.

Câmbio

O dólar fechou a sexta em alta, após cair nos últimos três dias. A moeda americana, porém, acumulou queda de 2% na semana, a segunda consecutiva de desvalorização. Hoje, o real até ensaiou novo dia de ganhos, com o dólar recuando para R$ 5,24 na mínima do dia, mas o clima ruim no exterior, que só amenizou no final do dia, e o tradicional movimento de cautela antes do feriado prolongado acabaram prevalecendo. Com isso, o real hoje, ao contrário dos últimos dias, perdeu força ante o dólar, enquanto outros emergentes, como o México e África do Sul, ganharam. No ano, porém, o dólar ainda acumula alta de 30%. Hoje, a moeda para outubro encerrou com alta de 0,15%, a R$ 5,3040.

Para os estrategistas do moedas do Bank of America, o principal risco para o real no curto prazo é a questão fiscal, por exemplo com a volta da ameaça ao teto de gastos, única âncora fiscal do Brasil, e o aumento dos ruídos políticos. Esta semana, o governo repetidas vezes mostrou compromisso em manter o teto.

E como o aumento da cautela pressionou o dólar, o ouro amargou perdas nesta sexta. Hoje, o metal precioso recuou 0,18%, a US$ 1.934,30 a onça-troy, na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex). Na semana, 2,06%.

Bolsas do exterior

Na Ásia os índices fecharam no vermelho, impactados pelo tombo da última quinta-feira, 3, do mercado acionário de Nova York. Os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto caíram 0,87% e 0,49% cada, enquanto o japonês Nikkei caiu 1,11% e o Hang Seng recuou 1,25% em Hong Kong. Já o sul-coreano Kospi se desvalorizou 1,15% e Taiex registrou perda de 0,94% em Taiwan. A Bolsa australiana fechou em forte queda de 3,06%.

Pelo segundo dia consecutivo, a aversão aos riscos vinda dos Estados Unidos derrubou os índices europeus, com o Stoxx 600 caindo 1,13%. A bolsa de Londres teve queda de 0,88%, Paris cedeu 0,88% e Frankfurt recuou 1,65%. Já Milão, Madri e Lisboa tiveram perdas de 0,82%, 0,23% e 1,75% cada. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.