Angela Weiss e Mandel Ngan/AFP
Angela Weiss e Mandel Ngan/AFP

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Bolsa avança quase 2% e dólar fica a R$ 5,65 com chance de Biden ganhar a eleição dos EUA

Possível vitória do candidato democrata anima, mas analistas alertaram que chance de Trump contestar na Justiça o resultado das urnas pode derrubar o bom humor do mercado

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2020 | 09h10
Atualizado 04 de novembro de 2020 | 18h50

A possibilidade cada vez mais real da vitória de Joe Biden na eleição presidencial dos Estados Unidos alimenta o apetite por riscos do mercado nesta quarta-feira, 4, com os investidores ainda mais interessados pelos ativos de risco. Nesse cenário, o dólar à vista fechou com queda de 1,88%, a R$ 5,6538 - a maior baixa porcentual desde 28 de agosto, enquanto a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou com alta de 1,97%, aos 97.866,81 pontos, depois de subir mais de 2% no pregão.

"A falta de uma diretriz clara quanto à pandemia contribuiu para reunir em Donald Trump três características indesejáveis aos olhos do mercado: risco, incerteza e imprevisibilidade. Biden é, de certa forma, um retorno à normalidade. Tende a elevar impostos sem os exageros de Obama, colocando mais dinheiro na mão do consumidor e induzindo uma recuperação econômica pela demanda. No longo prazo, com a retomada da economia e da arrecadação, o orçamento vai se reequilibrando", aponta Rodrigo Franchini, sócio e head de produtos na Monte Bravo Investimentos. Nesse cenário, as bolsas de Nova YorkDow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 1,34%, 2,20% e 3,85% cada.

Por volta das 16h desta quarta, o órgão eleitoral do Wisconsin informou que Biden derrotou Trump no Estado por uma margem de 20,6 mil votos. Agora, a atenção se volta para o Estado de Michigan, que após o fechamento do pregão, pode ter dado mais uma importante vitória para o democrata. Caso ganhe, Biden terá um difícil caminho pela frente, já que lidar com um Congresso dividido vai dificultar a rápida aprovação de um pacote trilionário de estímulos e de medidas voltadas ao meio ambiente.

Além disso, os analistas não descartam a possibilidade de o resultado nas urnas ser judicialmente contestado por Trump, o que já foi confirmado pelo próprio presidente americano em discurso na madrugada, pode causar forte volatilidade nos mercados. Não havendo breve definição do vencedor, a incerteza poderia se instalar por "semanas ou até meses". "Isso levaria a uma indefinição do resultado prolongada e, como sabemos, os mercados não gostam de indefinições", diz Roberto Indech, estrategista-chefe da Clear Corretora.

Ainda hoje, o cenário local deu algum incentivo para os ativos. Nesta quarta, o Congresso derrubou o veto presidencial de desoneração à folha, visto como essencial para apoiar a manutenção dos empregos no pós-pandemia."É preciso lembrar que o ano não termina com a eleição americana, temos a nossa agenda de problemas, de que precisamos voltar a tratar depois da eleição municipal", observa Franchini, da Monte Bravo. "Por aqui, temos vivido entre esperança e decepção - para melhorar a percepção, tem que votar a PEC dos gatilhos do teto, definir o Orçamento e o que virá de Renda Cidadã para o ano que vem", acrescenta Cavalheiro, da Rio Verde.

Nesta quarta-feira de celebração na B3, as perdas se concentraram no setor que havia sido o campeão do dia anterior: siderurgia. Após terem segurado a ponta positiva na última terça-feira, 3, empresas como CSN e Gerdau PN fecharam hoje em queda, respectivamente, de 4,24% e 3,88%. Entre as commodities, Vale ON cedeu 2,78%, enquanto Petrobrás PN e ON encerraram em alta de 0,36% e

0,46%, respectivamente, apoiadas pelos ganhos do petróleo: WTI e Brent fecharam com forte ganho de 3,96% e 3,83%.

Entre os bancos, Itaú PN em alta de 3,99% e BB ON, de 0,73%, com Santander em baixa de 2,27% e Bradesco PN, de 0,72%. Reforçado como ontem, o giro financeiro totalizou R$ 29,4 bilhões. Na semana, o Ibovespa avança agora 4,17%. Na máxima, subiu aos 98.296,35 pontos.

Câmbio

As mesas de câmbio operaram hoje monitorando de perto a apuração dos votos nos Estados Unidos. O dólar ampliou o ritmo de queda no exterior e aqui na medida em que as chances de Biden cresceram. Internamente, a aprovação do Senado ao projeto de autonomia do Banco Central foi bem recebida pelos investidores e ajudou o real a ter o melhor desempenho hoje no mercado internacional, considerando uma cesta de 34 moedas mais líquidas.

No mercado futuro, o dólar para dezembro fechou em baixa de 1,83% às 18h, negociado em R$ 5,6565. O giro de negócios continuou abaixo da média, somando apenas US$ 11,8 bilhões. Nas casas de câmbio, de acordo com levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, o dólar turismo é negociado acima de R$ 6. No ano, ela acumula valorização de mais de 40%.

Para o economista-chefe do banco suíço Julius Baer, David Kohl, a divisa americana tende a se enfraquecer "moderadamente" em 2021 no cenário que parece o mais provável, um governo dividido. A expectativa neste caso é de pacote de estímulo "moderado" em 2021, apoiando a recuperação da economia e estimulando o apetite por risco, o que ajudaria a enfraquecer o dólar, ressalta Kohl.

No mercado doméstico, os estrategistas do Citigroup observam que a aprovação da autonomia do BC é positiva, assim como a votação dos vetos, na medida em que as eleições municiais pararam o andamento de reformas mais amplas, abrindo espaço para a agenda micro. Ainda nas notícias positivas, eles destacam que o crescimento da produção industrial em setembro, acima do esperado, é novo indício da recuperação em V da atividade./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.