Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bolsa fecha no azul e dólar cai a R$ 5,26 com alta do petróleo no exterior

Decisão da Arábia Saudita, de cortar em 1 milhão de barris a produção de petróleo no país, agradou o mercado e aliviou parte da tensão causada pelo avanço da covid no mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2021 | 09h05
Atualizado 05 de janeiro de 2021 | 19h03

A alta dos preços do petróleo no exterior, após a notícia de que a Arábia Saudita vai cortar em 1 milhão de barris por dia (bpd) a produção do ativo em fevereiro e março, ajudou na recuperação dos ativos brasileiros nesta terça-feira, 5. Com o apoio das ações da Petrobrás, a B0lsa de Valores de São Paulo, a B3, conseguiu inverter o sinal e fechar com leve alta de 0,44%, aos 119,376,21 pontos, enquanto o dólar teve queda de 0,15%, a R$ 5,2603, após subir a R$ 5,35 na máxima.

A confirmação do corte foi feita pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) e vai compensar o aumento recente na produção feito pelo Casaquistão e pela Rússia. A redução teve impacto direto nos preços do petróleo, pois ajuda a controlar a oferta, uma vez que, com a covid, a demanda pelo ativo caiu consideravelmente e os estoques cresceram em todo mundo. Com isso, o barril do WTI para fevereiro fechou em alta de 4,85%, a US$ 49,93, enquanto o do Brent para março subiu 4,91%, a US$ 53,60.

A decisão considerou também o avanço de casos do coronavírus no mundo, que impôs um novo lockdown na Inglaterra, Alemanha e Escócia. Esse foi o motivo pelo qual, no começo da manhã, o Ibovespa chegou a cair aos 116.756,08 pontos na mínima do dia. Teve papel fundamental na recuperação do índice, o bom desempenho das ações ON e PN da Petrobrás, que fecharam com altas de 3,02% e 3,91% cada. Também subiram Vale ON, Gerdau PN, WegHypera, com ganhos de 1,68%, 2,42%, 6,14% e 3,32% cada. Nas duas primeiras sessões de 2021, o índice avança 0,30%.

Além disso, o mercado monitorou de perto o cenário político do País e também dos Estados Unidos. Por aqui, chamou a atenção o apoio dado a Baleia Rossi (MDB-SP), candidato de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara, que agora conta também com o apoio do PT, maior bancada da Casa. Ele concorre com o candidato do Centrão, Arthur Lira (PP-AL), o preferido do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Evitar que Bolsonaro assuma o controle da Casa é algo positivo para o mercado, na medida em que põe um freio à ambição de se conceder estímulos e auxílios muito além do recomendável pela situação das contas públicas, de olho em 2022", diz Jefferson Laatus, estrategista do Grupo Laatus.

Em solo americano, os olhos se voltam para a eleição do Senado, que ainda tem duas vagas em aberto. Republicanos e democratas disputam voto a voto na Geórgia, que pode dar o controle da Casa para um dos dois partidos. Caso as duas vagas fiquem com democratas, o Senado se dividiria entre 50 partidários do presidente Joe Biden e 50 republicanos - sob comando da vice Kamala Harris, que acumula a presidência do Senado, com direito a voto de Minerva. A espera por um resultado pesou em Nova York, que se recuperou apenas com a ajuda do petróleo. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam em altas de 0,55%, 0,71% e 0,95% cada.

"Um Senado de maioria democrata reforça a perspectiva de estímulos fiscais ainda maiores, o que seria bom para a economia global e também para os emergentes, com enfraquecimento do dólar. Por outro lado, pode não ser totalmente bom para o Brasil porque a agenda ambiental de Biden tende a ganhar força, em momento no qual os princípios ESG vêm avançando, sem que o País consiga se ajustarm a isso", diz Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch.

Câmbio

A disparada do petróleo ajudou a melhorar o ânimo dos investidores no mercado internacional, ajudando a enfraquecer a moeda americana. Mas ao contrário da Bolsa, o câmbio teve melhora mais contida, com os investidores cautelosos com os rumos da eleição para presidente da Câmara e a falta de definição do processo de vacinação em massa no Brasil, mesmo em dia marcado pela volta das captações externas, com o BTG Pactual lançando emissão de US$ 500 milhões. O dólar para fevereiro fechou com queda de 0,17%, a R$ 5,2930. O volume de negócios foi novamente acima da média, com US$ 16 bilhões.

O índice DXY, que mede o dólar ante divisas fortes, chegou a encostar em 90 pontos hoje mais cedo, em meio à cautela com a votação na Geórgia e medidas de restrição adicionais adotadas ao redor do planeta contra a covid. Depois do anúncio do corte nos barris de petróleo, o DXY passou a cair mais forte, finalizando o dia perto das mínimas, enquanto o petróleo disparou quase 5% no mercado futuro em Nova York. O dólar também passou a perder força ante moedas mais sensíveis aos preços da commodity, como o peso mexicano e o rublo russo.

Com o noticiário escasso de Brasília, as atenções se voltam para a vacinação contra a covid, ainda muito incerta. Os estrategistas do Citigroup em Nova York veem o Chile tendo vacinação em massa primeiro na América Latina, podendo ser concluída no segundo trimestre. Já Brasil e Argentina teriam vacinação mais disseminada apenas no quarto trimestre do ano. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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