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Bolsa sobe 0,8% e dólar recua 1,2% com exterior e declarações do governo sobre Petrobrás

Apesar do impasse em torno dos preços dos combustíveis, Bolsonaro disse que, em hipótese alguma, haverá interferência na estatal; no exterior, chance de estímulos nos EUA animou

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2021 | 09h25
Atualizado 05 de fevereiro de 2021 | 19h13

Bolsa brasileira fechou o pregão com ganho de 0,82%, aos 120.240,26 pontos, nesta sexta-feira, 5, reagindo com alívio à falta de ação imediata do governo sobre os preços dos combustíveis e pelo compromisso de não intervir na política de preços da Petrobrás, Com isso, o Ibovespa termina a semana com saldo positivo de 4,50%. No câmbio, o dólar teve queda de 1,20%, a R$ 5,3837.

Nesta sexta, o mercado monitorou de perto o impasse em torno dos preços dos combustíveis no País, mas agradou ao mercado a nova demonstração de alinhamento do governo, envolvendo o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, e outros ministros. Em coletiva sobre o tema, Bolsonaro defendeu a ideia de fixar o ICMS dos combustíveis e reforçou que o governo, em hipótese alguma, fará qualquer interferência na política de preços de combustíveis da petroleira - a possibilidade era uma das maiores preocupações dos investidores.

Com isso, as ações da Petrobrás chegaram a subir mais de 4%, mas caíram no final do dia, após relato de que a empresa teria ampliado recentemente, para um ano, o prazo em que calcula a paridade internacional dos preços dos combustíveis, de acordo com a Reuters. Anteriormente, o prazo era de três meses, aplicado tanto ao diesel como à gasolina. Os papéis ON e PN da petroleira fecharam com altas de 0,69% e 1,40% cada. A perda de posições também pesou no Ibovespa, que saiu dos 121 mil pontos na máxima do dia, para os 120  mil pontos.

Entre os destaques na Bolsa, estão as altas de CSN, com 7,36%, de Vale ON, com 3,37%, Gerdau PN, com 4,36% e Usiminas, com 4,64%. A forte alta das siderúrgicas  reflete a perspectiva de anúncio de aumento de preços para aços longos ainda neste mês. No ano, o Ibovespa acumula ganho de 1,03%.

"O mercado passou por uma realização, mas ainda não perdeu a tendência de alta. Acredito que o Ibovespa caminha para alcançar nova máxima com topo acima dos 125 mil pontos", diz Fernando Góes, analista gráfico da Clear Corretora, chamando atenção para o ponto de suporte, atualmente em 115 mil pontos, testado na virada de janeiro para fevereiro. "Caso se tenha um movimento de queda, outro ponto considerável é o de 111 mil pontos", acrescenta.

No exterior, lideranças democratas na Câmara garantiram ter, nesta sexta-feira, os votos para a aprovação do pacote fiscal proposto pelo presidente Joe Biden. Além disso, os democratas colocaram em vigor uma resolução orçamentária que facilita a tramitação do pacote fiscal de de US$ 1,9 trilhão de Biden, permitindo a aprovação por maioria simples no Senado, onde o partido tem 51 dos 100 votos. A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, informou que Biden continuará as negociações com os parlamentares na próxima semana. 

Em sintonia com o bom andamento do pacote de estímulos, Dow JonesS&P 500 e Nasdaq tiveram altas de 0,30%, 0,39% e 0,57% em Nova York nesta sexta. O S&P 500 e o Nasdaq tiveram o melhor desempenho semanal desde novembro do ano passado, com altas de 4,65% e 6,01% cada. Ambos também bateram recordes de fechamento. O Dow Jones terminou a semana com alta de 3,89%.

Câmbio

O dólar começou fevereiro com muita volatilidade, oscilando de R$ 5,32 a R$ 5,50, mas acabou acumulando queda na semana, de 1,66%. Foi a segunda semana consecutiva de baixa, mas mesmo assim a moeda americana ainda sobe 3,8% em 2021, mantendo o real como pior divisa no mercado internacional. O dólar para março fechou com queda de 1,01%, a R$ 5,3740.

Hoje, o resultado abaixo do esperado para a geração de empregos nos Estados Unidos ajudou a aliviar os preços da moeda tanto aqui quanto no exterior. O índice DXY, que mede o dólar ante moedas fortes, como euro e libra, caiu 0,51% hoje, mas segue acima do nível de 91 pontos.

A analista de mercados emergentes e moedas do alemão Commerzbank, Alexandra Bechtel, ressalta que os participantes do mercado seguem atentos às medidas que o governo vai tomar para lidar com o crescimento dos casos de covid. Se por um lado a volta da alta de juros pelo Banco Central deve ajudar a valorizar o real, por outro, a discussão sobre mais gastos pode pressionar a moeda brasileira. Mesmo com repetidas declarações do governo de respeito ao teto em 2021, falta clareza de detalhes, ressalta.

Hoje Bolsonaro falou que o próprio nome mostra que o auxílio é "emergencial" e a dívida do governo está no limite. Ao mesmo tempo, Guedes tem falado em condições para a volta do auxílio, que também seria para uma menor número de pessoas. Pela tarde, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que o objetivo é buscar até o último momento compatibilizar a nova rodada de ajuda com o teto.

A previsão do Commerzbank é de dólar a R$ 5,20 ao final do primeiro semestre, R$ 5,00 em dezembro e R$ 4,80 no primeiro trimestre de 2022. Riscos idiossincráticos, como a situação fiscal deteriorada, limitam a possibilidade de valorização do real. O banco americano JP Morgan alerta que se o governo for respeitar o teto este ano, não há espaço no Orçamento para mais gastos. Por isso, é preciso buscar alguma solução para pagar o auxílio./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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